Rei Charles III rezará com o papa Leão XIVAFP
A visita de dois dias acontece em um momento delicado para o monarca britânico, quando seu irmão Andrew enfrenta novas revelações comprometedoras no caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Para Charles III, que exerce o papel de governador supremo da Igreja da Inglaterra, será seu primeiro encontro com o novo chefe da Igreja Católica, que sucedeu em maio o papa Francisco.
A visita de Charles, acompanhado de sua esposa Camilla, "marcará um momento importante nas relações entre a Igreja Católica e a Anglicana", afirmou o Palácio de Buckingham.
A religião anglicana nasceu em 1534, em uma cisão provocada pelo rei Henrique VIII da Inglaterra, devido à recusa do papa em anular seu casamento com Catarina de Aragão.
Em 1961, a mãe de Charles III, Elizabeth II, tornou-se a primeira monarca britânica a visitar o Vaticano desde o cisma entre católicos e anglicanos.
'Acontecimento histórico'
O tema central do ofício ecumênico será a proteção da natureza, uma causa com a qual Charles III está profundamente comprometido.
A cerimônia religiosa combinará tradições católicas e anglicanas, com a atuação conjunta dos corais das capelas Sistina e de São Jorge de Windsor.
"É um evento histórico", afirmou à AFP William Gibson, professor de História Eclesiástica na Universidade Oxford Brookes.
Gibson recordou que o soberano britânico é obrigado por lei a ser protestante. "De 1536 a 1914, não houve relações diplomáticas oficiais entre o Reino Unido e a Santa Sé", explicou o professor. O Reino Unido só abriu uma embaixada no Vaticano em 1982.
Em 2013, a lei foi levevemnte flexibilizada para permitir que os membros da família real que se casem com católicos possam conservar seu lugar na linha de sucessão, recordou Gibson. Até então, caso o fizessem, deveriam renunciar a qualquer aspiração ao trono.
Durante sua visita, Charles III e Camilla também participarão de outro serviço religioso ecumênico na Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma. Durante a cerimônia, o rei será nomeado "confrade real".
Para a cerimônia, foi criado um assento especial para o monarca, que permanecerá na basílica e poderá ser utilizado no futuro por seus sucessores no trono britânico.

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