Zelensky e Putin presidem Ucrânia e Rússia, respectivamenteMandel Ngan, Andrew Caballero/AFP
"O trabalho eficaz das Forças Armadas russas deveria convencer Zelensky: é melhor negociar e fazê-lo agora do que depois", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que disse não ter recebido oficialmente o plano dos Estados Unidos.
"A margem de liberdade de decisão se reduz para ele à medida que perde mais territórios durante as ações ofensivas do Exército russo", acrescentou.
As propostas foram apresentadas nesta quinta-feira a Zelensky por uma delegação norte-americana. O presidente ucraniano confirmou o encontro e, em mensagem no Telegram, classificou a conversa como "muito séria".
Segundo ele, "a parte americana apresentou suas propostas - os pontos de um plano para acabar com a guerra - sua visão". Zelensky reafirmou que Kiev busca "um verdadeiro acordo de paz que não possa ser rompido por uma terceira invasão", e insistiu que qualquer entendimento deve respeitar "nossa independência, nossa soberania e a dignidade do povo ucraniano".
Zelensky afirmou ter delineado "princípios-chave" e que as equipes dos dois países trabalharão para garantir que o processo seja "genuíno". Ele acrescentou: "Estamos prontos para um trabalho construtivo, honesto e rápido".
O plano aumenta a pressão sobre Kiev, uma vez que a cessão de território é ilegal segundo a Constituição ucraniana e repetidamente rejeitada por Zelensky. Diplomatas europeus também reagiram, pedindo consultas mais amplas e alertando que qualquer acordo percebido como recompensa à agressão russa seria inaceitável.
Zelensky disse esperar falar com Trump nos próximos dias e ressaltou que "a força e o apoio dos EUA podem realmente aproximar a paz". Ao mesmo tempo, reiterou que Moscou não tem desejo real de paz e afirmou estar dedicando a totalidade de seu tempo para garantir que ninguém possa acusar a Ucrânia de minar esforços diplomáticos.

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