Flores e mensagens foram deixadas próximas ao local da tragédiaPhilip Fong / AFP

Autoridades de Hong Kong elevaram, nesta sexta-feira (28), para 128 o número de mortos no pior incêndio em décadas no território e anunciaram a detenção de oito pessoas ligadas a obras realizadas no complexo residencial afetado.
Em uma busca angustiante, os parentes de mais de 100 pessoas que continuam desaparecidas percorreram hospitais e centros de identificação de vítimas com a esperança de encontrar seus familiares.
O incêndio começou na tarde de quarta-feira (26) nos tradicionais andaimes de bambu instalados nas torres em obras do conjunto residencial Wang Fuk Court, que tem mais de 1.800 apartamentos, no distrito de Tai Po, na zona norte do território.
Uma comissão local anunciou, nesta sexta-feira, a detenção de oito pessoas por suspeita de corrupção relacionada à reforma dos edifícios de 31 andares.
Entre elas estão dois mestres de obra, dois responsáveis pelo escritório encarregado da reforma, três terceirizados responsáveis pelo andaime e um intermediário.
Após queimar por mais de 40 horas, o incêndio foi "praticamente extinto" na manhã desta sexta-feira, informou o departamento dos bombeiros, que anunciou o fim das operações de busca por sobreviventes.
O secretário de Segurança da cidade, Chris Tang, informou em uma entrevista coletiva que apenas 39 das 128 corpos foram identificados. Há ainda 79 feridos e mais de cem desaparecidos.
As autoridades investigam as causas da tragédia, incluindo a presença dos andaimes de bambu, altamente inflamáveis, e das redes de proteção de plástico que frequentemente envolvem os edifícios em reforma na cidade.
O chefe dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os alarmes contra incêndio dos edifícios afetados "não funcionavam de maneira correta" e disse que "medidas coercitivas" serão adotadas contra os responsáveis.
Moradores do complexo afirmaram à AFP que não ouviram nenhuma sirene e que precisaram bater de porta em porta para alertar os vizinhos sobre o perigo. Tang acrescentou que as investigações podem durar de três a quatro semanas.
Durante a manhã desta sexta-feira, as equipes de emergência retiraram corpos dos escombros. Um correspondente da AFP contou quatro em um período de 15 minutos. Os corpos foram levados para um necrotério próximo, onde as famílias devem identificar as vítimas.
Em um hospital de Sha Tin, uma mulher de 38 anos que se identificou apenas como Wong procurava desde a quinta-feira sua cunhada e a irmã gêmea desta, sem sucesso.
"Ainda não as encontramos. Estamos visitando vários hospitais para perguntar se eles têm boas notícias", disse, chorando, à AFP.