Projeto promove inclusão histórica e territorial, autoestima e pertencimento. De forma lúdica, crianças e professores têm acesso a ferramentas práticas aos conteúdos de salas de aulaDivulgação / Thiago Diniz
De forma lúdica, crianças e professores têm acesso a ferramentas práticas e complementares aos conteúdos trabalhados em salas de aula. A ideia é promover uma inclusão histórica desses grupos sociais às vivências educacionais dos educandos, e contribuir no fomento à cultura na cidade. Ao propor oficina de cartografia afetiva, o projeto trabalha questões como a auto-estima dos alunos enquanto moradores e frequentadores das regiões abordadas, conseguindo identificar as potências dos territórios.
Rolé Carioca levará alunos da rede pública de ensino do Estado do Rio de Janeiro para aulas a céu aberto, conectando cultura, educação e pertencimento. O projeto impactará cerca de 3.000 crianças e jovens, de 10 escolas da cidade do Rio de Janeiro, Nilópolis, Nova Iguaçu, Mesquita e Duque de Caxias.
Aproximar crianças e jovens dos territórios em que vivem e estudam, a partir de um olhar crítico e afetivo. É o que busca o Rolezinho, iniciativa que combina passeios guiados e oficinas de cartografia afetiva, promovendo o fortalecimento do senso de pertencimento e identidade. As atividades impactarão estudantes, com idades entre 11 e 16 anos, de 10 escolas do Rio, Nilópolis, Nova Iguaçu, Mesquita e Duque de Caxias.
Para Beatriz Novellino, o Rolezinho possibilita a integração desses alunos com espaços públicos importantes no Rio de Janeiro. “Não se trata apenas de um passeio educativo; é uma ferramenta de transformação social. Em um contexto onde a relação dos estudantes com a cidade é muitas vezes limitada, a iniciativa estimula a valorização dos espaços urbanos e do patrimônio histórico como parte da identidade cultural de cada um. Dessa forma, o projeto contribui para a construção de uma narrativa mais plural e inclusiva sobre o Rio de Janeiro”, comenta.
Depois dos “rolés” pelos arredores das escolas, os alunos poderão representar suas percepções e memórias do território em mapas afetivos, usando técnicas artísticas como colagem e pintura. Os grupos contarão com professores guias e monitores para assegurar a segurança e o acolhimento necessários para uma vivência enriquecedora. “O projeto é uma ferramenta prática e eficiente na promoção de uma educação inclusiva, representativa e antirracista, que propõe a vivência da cidade como plataforma de aprendizado. Além de ganhos pedagógicos e sociais, o Rolezinho Carioca é um complemento às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), trazendo luz para a necessidade de incluir, nos programas escolares, mais debates sobre a memória e presença das populações indígenas e negras na cidade, contribuindo, assim, para a implementação das Leis 9.457/21 e 10.639/03”, completa Beatriz.
Conexão com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU
Ao incentivar a prática do espaço urbano e o acesso ao patrimônio cultural, o projeto também dialoga com os ODS da ONU, especialmente os que tratam da Educação de Qualidade (ODS 4), Igualdade de Gênero (ODS 5), Redução das Desigualdades (ODS 10) e Cidades e Comunidades Sustentáveis (ODS 11). Entendemos que a cultura e a educação patrimonial são ferramentas essenciais não só para o cumprimento dos objetivos da ONU, mas para uma construção e transformação social completa. Por isso encorajamos empresas engajadas com essa finalidade a proporcionar atividades como o Rolezinho para cada vez mais alunos. Pensar o passado é essencial para transformar o presente, e fazer isso à partir dos próprios territórios apresenta uma nova forma de pensar a construção desses jovens enquanto cidadãos, conclui Isabel Seixas, idealizadora do Rolé Carioca.
Próximos Rolezinhos Cariocas
FERRAMENTA PRÁTICA DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Rolezinho Carioca é uma ferramenta prática de educação patrimonial que colabora na difusão de conteúdos históricos da cidade, e do pertencimento territorial de jovens em realidades sócio-econômicas vulnerabilizadas. Seu intuito é a formação cultural a partir de experiências que convidam estudantes a praticar a cidade para melhor conhecê-la e, consequente, apropriar-se de suas histórias e de seus espaços.
Os roteiros e territórios visam a disseminação e a vivência de uma memória histórica da cidade mais democrática, representativa e antirracista. Com uma postura decolonial, o Rolé tem como premissa apresentar histórias apagadas ou inviabilizadas e propõe também uma revisão histórica dos símbolos, arquitetura e personagens. O projeto é ao mesmo tempo uma ferramenta de educação e de cidadania, que amplia acessos e gera meios de identificação com a história e o patrimônio.
Sobre o estúdio M’Baraká (UM-BA-RA-KÁ)
Fundado em 2007 por Isabel Seixas e Diogo Rezende, o estúdio UM-BA-RA-KA cria projetos narrativos com abordagem crítica, unindo pesquisa histórica, arte contemporânea, design e uma multiplicidade de linguagens para contar histórias relevantes. Dezenas de exposições, festivais e um projeto multiplataforma de comunicação histórica (Rolé Carioca), movimentaram centenas de artistas para diferentes espaços culturais e territórios. Em 2019 o estúdio recebeu o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo IPHAN ao projeto Rolé Carioca e em 2021, a menção honrosa pela expografia da exposição Nise da Silveira - A Revolução pelo afeto pelo IAB-RJ e em 2024 a exposição "Darwin - Origens e Evolução" foi selecionada para a 14ª Bienal Brasileira de Design.
Este projeto é realizado pela Lei de Incentivo à Cultura, Secretaria Especial de Integração Metropolitana - SEIM, do Programa Integra Rio e Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, e conta com co-realização do Rolé Carioca, Tuntum Cultura, Olamidé Cultura e Pressa Filmes; Patrocínio da Estácio do Instituto Yduqs, First RH Group, White Martins, Technip FMC, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei ISS; e Realização do estúdio M’Baraká, Ministério da Cultura e Governo Federal.

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