Niterói - Quem sabe faz ao vivo. Nunca essa frase icônica do apresentador de TV Fausto Silva fez tanto sentido quanto na noite do ultimo sábado (14), quando aconteceu a terceira edição do festival de música nova e autoral Aurora Fest, na Quinta do Parque, em Pendotiba.
Além de contar com a presença na plateia de artistas já conhecidos da cena local -- como Felipe Ferreira e Yuri Corbal -- o evento apresentou novos talentos com músicas autorais, como foi o caso de Theo Kant, Caio Guerra, Helena Peres e Bel Cortez.
A abertura ficou por conta do Nikity People, grupo de crianças e adolescentes que se reuniram para uma homenagem à Rita Lee, que muito orgulhou a memória da roqueira, sempre muito antenada com novos talentos da música. "Rita Lee sempre ficou muito feliz com homenagens, ainda mais vindas de crianças cantando suas músicas. Eu mesmo fui um fã mirim da Rita, antes de me tornar jornalista e profissional da musica e ter tido o grande privilégio de trabalhar com ela e Roberto de Carvalho na PolyGram, hoje Universal Music", disse o diretor do selo Astronauta Discos, Leonardo Rivera.
Já Enzo Yuki, que vem crescendo muito em sua carreira solo e se mostra obstinado para ingressar fortemente na indústria fonográfica, fez um belo show com sua proposta artística, acrescida do convidado especial, o grande músico e produtor de Niterói, Gui Schwab (que tocou o exótico instrumento didgeridoo). Uma introdução de Heroes, do David Bowie, antes de uma de suas músicas autorais provou que Enzo tem boas referências e bom gosto.
O público foi composto por fãs que já estão se acostumando a seguir as carreiras dos novos artistas, além de ser inclusivo por ter pessoas de todas as idades. Familiares, amigos da escola e do vestibular passaram por lá, além de outros músicos e artistas que ajudam a construir essa cena -- que é totalmente independente e, até agora, só conta com apoio da iniciativa privada, como a pizzaria Broto e a OH! Óculos
Felipe Ferreira, que é artista e produtor, disse que "além de expandir a própria música, um evento desses tem uma função educativa. Eles estão, de certa forma, ensinando ao público a ouvir novas músicas. É uma questão cognitiva. Se a gente se acostuma só com o que a gente já viu todo dia, a gente morreu. É uma questão de sobrevivência. Acho que é importante convidar nomes fortes da nova geração para somar público e chamar a atenção da cidade. Nestes três nos eles consolidaram um público que é fiel", disse o jovem e experiente Felipe, que acompanha o pai, Marcos Sabino, na produção de seus shows.
A verdade é que eles têm razão, como diria Belchior: o novo sempre vem.
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