Niterói: primeiro curso de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Acessibilidade, iniciativa da jornalista e pesquisadora Aline Angel VargesReprodução

Niterói - A cidade de Niterói dá um passo inédito na formação acadêmica ao inaugurar seu primeiro curso de Pós-Graduação em Divulgação Científica e Acessibilidade. A iniciativa, idealizada pela jornalista e pesquisadora Aline Angel Varges, doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências e Biotecnologia do Instituto de Biologia da UFF, surge em um momento crucial: o da crescente circulação de desinformação e notícias falsas, que colocam em xeque a confiança pública na ciência e nas instituições.

O curso nasce da pesquisa acadêmica de Aline, mas também de mais de uma década de atuação profissional com produção de recursos acessíveis, tecnologias assistivas e docência em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Ao ser oferecido pela Faculdade Maria Thereza (FAMATH), em Niterói, o programa pretende formar profissionais aptos a traduzir a ciência para a sociedade, reconhecendo na comunicação científica e na promoção da acessibilidade um direito fundamental e uma ferramenta estratégica para o fortalecimento da cidadania e da justiça social.

Formação para tempos de incerteza

Com grade curricular multidisciplinar, ministrada por um corpo docente formado por especialistas, mestres e doutores, a nova pós-graduação se propõe a capacitar comunicadores, educadores e profissionais de diferentes áreas a planejar, produzir e avaliar conteúdos científicos acessíveis e inclusivos.

“A comunicação científica precisa ser entendida como um direito fundamental e uma estratégia de fortalecimento da democracia. Só assim conseguiremos ampliar a participação social na construção do conhecimento”, ressalta Aline.

Ciência acessível como pilar de cidadania

Mais do que enfrentar a desinformação, o curso reafirma o compromisso com a inclusão. A proposta é integrar saberes acadêmicos, populares e tradicionais, ampliando o acesso à ciência para públicos historicamente excluídos — em especial a comunidade surda, por meio de recursos em Libras e materiais bilíngues.

Essa perspectiva conecta-se a experiências já consolidadas, como a da ONG Guardiões do Mar, que desde 1998 atua na interface entre ciência, educação ambiental e inclusão. Em parceria com o Ateliê do Encontro — espaço onde Aline também desenvolve seu trabalho — foram responsáveis por garantir acessibilidade em Libras em publicações e projetos socioambientais. Juntos, já produziram e-books bilíngues e ampliaram a participação da comunidade surda em diversas ações educativas.

Educação inclusiva e transformação social

O lançamento do curso em Niterói é, portanto, mais do que um marco acadêmico: é um gesto político e social diante da urgência do nosso tempo. Em um cenário de crises ambientais, desigualdades sociais e proliferação de fake news, formar profissionais capazes de comunicar ciência com rigor, empatia e inclusão é investir em cidadania, democracia e futuro.

Essa abordagem está alinhada ao princípio da educação inclusiva, que valoriza a diversidade e promove a participação ativa de cada indivíduo no ambiente educativo. Dessa forma, reforça-se o compromisso coletivo com o cuidado do território, a justiça climática e a sustentabilidade. Esses objetivos estão em consonância com o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis, que destaca a educação ambiental como direito de todos e instrumento político de transformação social.

Serviço:
Curso: Pós-graduação em Divulgação Científica e Acessibilidade
Instituição: Faculdade Maria Thereza (FAMATH) - Niterói
Duração: 18 meses
Modalidade: Presencial
Público-alvo: comunicadores, educadores, profissionais de diferentes áreas e estudantes de graduação que estejam cursando o último período.
Início das aulas: Novembro/2025
Inscrições e informações: famath.com.br