Niterói: vítimas da Máfia dos Condomínios está buscando ajuda de vereadores na Câmara MunicipalDivulgação
E não são apenas idosos sem família que sofrem com a tentativa de golpe: herdeiros que assumem a parte de irmãos, ao tentar manter a propriedade após a morte de familiares, são notificados sem que os outros herdeiros sejam informados – numa clara tentativa de manobrar ardilosamente para concretizar seu golpe, impedindo que todos os herdeiros se posicionem oficialmente a respeito de seus direitos adquiridos, repactuem e recalculem acordos sobre a dívida - como é o caso de uma vítima do Jardim Icaraí ouvida com exclusividade pela reportagem de O DIA Niterói nesta série especial.
“O problema é que não estão permitindo que recalculemos e repactuemos nossas dívidas e isso é um crime frio e premeditado. Devedor não é bandido. Respeito não é favor, é obrigação legal. Venho demonstrando boa-fé ao longo do processo por vários anos, jamais isso poderia me gerar uma insegurança jurídica e com a ameaça real da perda do imóvel. É um golpe de quem persegue o morador e vigia seus movimentos financeiros. Ou seja, mesmo atualmente adimplente, somos invadidos em nossa privacidade quando síndica e conselheiros vigiam nossos passos. Ninguém aqui comprou um carro ou viajou para a Europa e deixou de pagar dívidas. A má fé e tão inacreditável e ardilosa que lembra um cartel e uma máfia mesmo. Empurrar um imóvel de R$800 mil para leilão em função de uma dívida que não chega a um décimo do valor do bem e que pode ser negociada, é queimar a casa para se livrar do rato. É um negócio escuso, com muitas ramificações, onde o síndico, se não visa obter vantagens, promove vinganças pessoais através de perseguição”, explica a vítima.
Diante das inúmeras reclamações, e os indícios de que existe uma indústria organizada por trás de uma “Máfia dos Condomínios”, comandada também por agiotas, vítimas começaram a procurar a Câmara dos Vereadores de Niterói. Procurado pela reportagem, o Presidente da Câmara, Milton Cal, declarou que vai se reunir com os vereadores da casa para debater o assunto.
COMO SE PROTEGER DO GOLPE
A questão da "Máfia dos Condôminos" em Niterói, especialmente no contexto do direito imobiliário e patrimonial, levanta pontos cruciais sobre a proteção dos moradores e a atuação do sistema jurídico. Em casos em que os moradores tentam negociar suas dívidas e se deparam com práticas abusivas por parte de administradoras de condomínios, é essencial que adotem algumas estratégias. Consultamos o Doutor Marco Antônio C. Allegro, advogado especializado em Direito Imobiliário Contratual, para saber quais são:
- Assessoria Jurídica: Buscar a orientação de um advogado especializado em direito imobiliário é fundamental. Esse profissional pode analisar as particularidades do caso e identificar eventuais abusos, como cobranças indevidas ou falta de transparência nas contas do condomínio.
- Negociação direta: Os moradores devem tentar negociar diretamente com a administração do condomínio, documentando todas as comunicações e acordos. Isso pode incluir a proposta de parcelamento da dívida, o que pode evitar ações de cobrança mais severas.
- Ação Judicial: Se as práticas da administração forem abusivas, pode-se considerar a possibilidade de entrar com uma ação judicial. O Judiciário pode ser acionado para contestar a validade de cobranças ou a forma como a dívida está sendo gerida.
- Denúncia a órgãos de defesa do consumidor: Caso os moradores identifiquem práticas abusivas, é possível registrar denúncias em órgãos de defesa do consumidor, como o PROCON. Isso pode gerar uma pressão sobre a administração do condomínio para que reveja suas práticas.
- Uso de brechas jurídicas: O STJ tem se posicionado em algumas situações favoráveis aos devedores, especialmente no que diz respeito à proteção do bem imóvel. É possível argumentar que a expropriação de bens de pessoas que buscam negociar suas dívidas, especialmente em situações de vulnerabilidade, infringe princípios constitucionais.
Segundo Doutor Marco Antônio, a proteção de grupos vulneráveis no contexto das dívidas de condomínio é uma questão que pode ser abordada por meio de emendas legislativas e políticas públicas. Algumas sugestões incluem:
- Emenda à Lei dos Condomínios: Pode-se propor uma emenda que garanta maior proteção a herdeiros e proprietários idosos, estabelecendo limites para a cobrança de dívidas que considerem a situação financeira do devedor. Por exemplo, permitir que a venda forçada de imóveis só ocorra em casos de valores que ultrapassem um limite determinado, protegido por lei.
- Criação de um Fundo de Apoio: Uma proposta poderia incluir a criação de um fundo de apoio para ajudar proprietários em dificuldades financeiras a quitarem suas dívidas, evitando assim a perda de seus imóveis. Esse fundo poderia ser alimentado por contribuições dos próprios condomínios e de incentivos fiscais.
- Regulamentação de práticas abusivas: A criação de normas que coíbam práticas abusivas na administração de condomínios seria essencial. Isso incluiria uma regulamentação mais rígida sobre a transparência nas contas e a forma de cobrança das dívidas.
- Educação financeira: Promoção de programas de educação financeira dentro dos condomínios, para que os moradores compreendam melhor suas obrigações e direitos, e possam gerenciar suas finanças de forma mais eficaz.
“Essas abordagens visam não apenas proteger os moradores, mas também criar um ambiente mais justo e equilibrado nas relações condominiais, respeitando os direitos fundamentais e a dignidade das pessoas”, disse o advogado especialista.

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