Niterói - Considerada ousada para a época, “Escola de Mulheres” é uma peça de teatro escrita por Molière no século XVII, que ridicularizava a alta sociedade masculina por meio da exposição de suas atitudes risíveis para manter o domínio sobre as mulheres. Agora, o texto ganha canções, comicidade e técnicas da commedia dell'arte em uma livre adaptação comandada pelo Grupo Lunar de Teatro, de São Paulo. O espetáculo “Escola de Mulheres - Uma Sátira ao Patriarcado” encerrará seu primeiro circuito no Rio de Janeiro, no Sesc Niterói, dia 11 de dezembro, quinta, às 19h. O ingresso custa R$15 (inteira) e R$7,50 (meia-entrada). A apresentação será acessível em libras.
A peça tem idealização de Suzana Muniz - que também é responsável pela direção e adaptação; e de Mau Machado - que assina a direção musical, música e letras. No elenco, Ana Clara Fischer, André Schulle, Angelina Miranda, Elvis Zemenoi, Lucas Sabatini, Mau Machado, Pamella Bravo e Suzana Muniz.
A narrativa de “Escola de Mulheres - Uma Sátira ao Patriarcado” é contada a partir da fusão da cultura europeia do século XVII, que traz os tipos da commedia dell’arte, com o folclore popular brasileiro e seus elementos carnavalescos, além de buscar inspiração nas tradições afrobrasileiras e suas divindades como a Pombagira, representando a sensualidade e libertação feminina. Essa fusão traz à cena um espetáculo visualmente colorido, alegre e ritualístico, que também tem como base a linguagem de coro cênico.
No palco, assim como na história original, Inês (Ana Clara Fischer) é uma jovem inocente destinada a casar-se com Arnolfo (Mau Machado), um velho burguês que a escolheu quando ainda era uma criança e a educou para ser uma esposa, submissa e dependente. Entretanto, nesta livre adaptação, quando a jovem chega na idade de se casar, um sonho a desperta para um caminho diferente daquele arquitetado por seu suposto benfeitor.
Escrita há quase 400 anos, “Escola de Mulheres” continua sendo um texto extremamente atual. Em cena, o Grupo Lunar de Teatro joga luz sobre as reflexões de Molière, revendo a história pelo olhar feminino e com uma crítica ao machismo limitante, reforçando a importância da sororidade entre mulheres para enfrentar o patriarcado estrutural.
“Apesar da perspectiva original para a época, Molière manteve no núcleo patriarcal todas as discussões e decisões importantes do enredo da peça. A presença da mulher continuava sendo secundária. Por essa razão, a adaptação que trazemos mantém o canovaccio do autor mas atualiza o texto, alterando algumas passagens para dar voz às personagens femininas já presentes no texto original e trazendo novas vozes na forma das narradoras, responsáveis por um olhar externo (cúmplice do público) de quem conhece a história e sabe que ela deveria seguir outro rumo”, afirma Suzana Muniz.
A comédia, a sátira e as canções entram em cena como um recurso para abordar as temáticas de maneira leve, mas também acessível ao público. “Falar por meio da sátira, do riso, da ironia e da música, trazendo temas urgentes através de um teatro mambembe, popular, sem a quarta parede, permite uma conexão única com a plateia. O riso é usado aqui como arma poderosa para aproximar o tema, tão delicado, a um público mais amplo, criticando o machismo limitante com leveza e alegria e apontando uma saída através da união e da sororidade feminina”, explica a diretora e idealizadora da peça.
Peça surge em momento conturbado da política brasileira
“Escola de Mulheres - Uma Sátira ao Patriarcado” nasceu em 2018, em São Paulo, quando o Brasil passava por uma fase de retrocessos em relação aos direitos das minorias.
“Comecei a buscar um texto clássico que pudesse mostrar o quanto as ideias pregadas naquele momento eram ultrapassadas. Durante esse processo, o Mau Machado se deparou com o livro ‘Escola de Mulheres’ em um sebo e trouxe a ideia de um coro de mulheres que pudessem, através do canto, apontar os absurdos do patriarcado. A partir daí começamos a desenhar o projeto”, revela Suzana, que também é líder do Grupo Lunar de Teatro, que tem em seu DNA a linguagem do coro cênico.
As canções são elemento-chave na obra e aportam uma musicalidade que mistura influências renascentistas com raízes, composições e arranjos brasileiros, mesclando o lírico com o popular, com o objetivo de provocar uma reflexão para além da sátira em texto, tornando-se um elemento fundamental ao compor um alerta crítico sobre o patriarcado. “Desde o princípio, Mau Machado, criador e compositor das músicas originais da peça, queria trabalhar os temas com distanciamento, trazendo um olhar crítico para as situações da cena. Durante o processo de criação da peça foram levantados textos de escritoras como Joice Berth, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, Silvia Federici e Maureen Murdock, entre outras, que inspiraram escritas das próprias atrizes. E esses textos serviram então de alimento para as letras originais das canções do espetáculo”, explica Suzana.
A peça já cumpriu temporadas em importantes casas paulistanas como o Teatro Itália e o Espaço Parlapatões, além de ter sido aclamada em festivais como o FENATEVI (Festival Internacional de Teatro da Cidade de Vitória) e o FNTRP (Festival Nacional de Teatro de Ribeirão Preto). Após passar por 12 cidades do interior de São Paulo, a circulação do espetáculo chega ao Rio de Janeiro impulsionada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar 2025.
SINOPSE:
“Escola de Mulheres - Uma Sátira ao Patriarcado” e uma livre adaptação do original de Molière, que alterna a narrativa do texto para as vozes femininas fazendo uma critica ao machismo limitante. Inês e uma jovem inocente destinada a casar-se com Arnolfo, um velho burguês que a escolheu quando ela ainda era uma criança e a educou para ser uma esposa submissa e dependente. Entretanto, nesta versão do Grupo Lunar, quando a jovem chega na idade de se casar, um sonho a desperta para um caminho diferente daquele arquitetado por seu suposto benfeitor.
FICHA TÉCNICA:
Texto: Molière
Idealização: Suzana Muniz e Mau Machado
Direção geral e adaptação: Suzana Muniz
Direção musical, musica e letra: Mau Machado
Arranjos: Grupo Lunar de Teatro
Elenco: Ana Clara Fischer, André Schulle, Angelina Miranda, Elvis Zemenoi, Lucas Sabatini, Mau Machado, Pamella Bravo e Suzana Muniz
Preparação vocal: Ana Clara Fischer
Preparação corporal de Commedia Dell'Arte: Flavia Bertinelli
Preparação corporal de coro cenico: Mau Machado e Suzana Muniz
Consultoria de tradições afro-brasileiras: Claudia Alexandre
Cenografia e elementos cênicos: Vitor Ugo
Mascaras: Rafael Mariposa
Figurino: Daise Neves
Luz: Dida Genofre
Operação de luz: Dida Genofre e Jessica Estrela
Fotos: Ronaldo Gutierrez
Identidade Visual: Mau Machado
Assessoria de imprensa: Mario Camelo - Prisma Colab
SESC Niterói (Rua Padre Anchieta, 56 - Centro / Niterói)
Horário: 19h
Valores: R$ 15 (inteira)
R$ 7,50 (meia entrada para casos previstos por lei, estendida a professores e classe artística mediante apresentação de registro profissional e conveniados )
R$ 5,00 (comerciários e dependentes)
Gratuito (PCG)
A apresentação terá tradução simultânea em libras.
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