Isa Colli é escritora e jornalista Divulgação

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado. As redes sociais estão presentes no cotidiano de crianças e adolescentes de forma intensa — influenciam comportamentos, ditam tendências e, muitas vezes, formam opiniões. Diante disso, fico me perguntando: será que não podemos usar esse alcance todo para plantar sementes de consciência nas novas gerações?

A literatura infantil sempre foi uma aliada poderosa na formação de valores. Por meio doslivros, a criança começa a entender o mundo, a se colocar no lugar do outro e a perceber que suas atitudes têm impacto. Agora, imagine o poder dessa literatura quando encontra o universo digital: uma história que fala sobre cuidar do planeta, contada com sensibilidade, pode virar um vídeo curto, um desenho compartilhado ou até mesmo um desafio entre amigos. E, de repente, aquela mensagem simples alcança milhares de pessoas.

Tenho visto iniciativas lindas de jovens que transformam suas leituras em ações. Um menino que leu uma fábula sobre reciclagem e decidiu organizar uma coleta seletiva em casa. Uma menina que, encantada com um livro sobre animais marinhos, passou a usar menos plástico no dia a dia. Outra que, ao ler a fábula de um macaquinho que cruzou a Europa para conscientizar sobre o problema da obesidade, mudou completamente seus hábitos alimentares. São gestos pequenos, mas que mostram que a literatura continua viva — e pulsando com ainda mais força quando ganha espaço nas redes.

As histórias têm o poder de emocionar, de ensinar sem impor, de despertar. E quando chegam ao celular de uma criança — em forma de áudio, vídeo ou até um simples post ilustrado — podem acender uma luz que nunca mais se apaga. Isso me inspira. Porque sei que, mesmo diante de tantos desafios, há espaço para a educação afetiva, para o cuidado com o outro, com o planeta, com o futuro.

A tecnologia não é inimiga da infância. Pelo contrário. Quando usada com propósito, ela é uma ponte entre o aprender e o agir. A conexão de maneira positiva pode colaborar, sim, para proporcionar oportunidades educacionais. No entanto, é importante que o uso de qualquer tipo de tecnologia seja moderado e sempre acompanhado com atenção. Cabe a nós, adultos — pais, professores, escritores — oferecer conteúdos que toquem o coração e estimulem atitudes. Um livro pode ser o primeiro passo. Um post pode ser o segundo. E o resultado, quem sabe, seja uma geração mais consciente, mais humana e mais engajada.

A literatura continua sendo uma semente. E, quando plantada com carinho — seja nas páginas de um livro ou nas telas de um celular —, pode florescer em atitudes que mudam o mundo.
Por Isa Colli, jornalista e escritora