Felipe Malak se vacinou no posto de vacinação na Marina da GlóriaCléber Mendes / Agência O Dia

Rio - O secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz, afirmou neste sábado (10) que a cidade ainda está com um número muito baixo de pessoas vacinadas contra a gripe: somente 28% da população. A taxa é a menor taxa desde 2012. Enquanto acompanhava a imunização em uma tenda especial montada na linha de chegada da Maratona do Rio, na Marina da Glória, Soranz falou sobre a importância de se proteger contra a Influenza, faltando nove dias para a chegada do inverno. Neste ano, o município já registrou oito mortes pela doença.
"Temos um percentual bem baixo de imunização para gripe. O ideal dessa vacina é que ela seja tomada antes do inverno chegar, e faltam poucos dias para o inverno. Então é uma preocupação imensa. Já tivemos oito óbitos confirmados por Influenza, que poderiam ter sido evitados pela vacina", comentou Soranz, em entrevista ao DIA.
"Quando comparamos com o ano de 2021, que foram 44 óbitos, há uma preocupação imensa de termos um cenário como esse. Então, fica o nosso pedido para toda a população. São 236 pontos de vacinação espalhados por toda a cidade. É muito importante que as pessoas se conscientizem e se protejam. A vacina contra influenza é muito eficaz, protege contra quatro subtipos que estão circulando neste período do ano", ressaltou o secretário.
Para ampliar a cobertura, principalmente de grupos prioritários (idosos e crianças abaixo de seis meses), a SMS decidiu prorrogar a campanha de vacinação que terminaria no último dia 31. A meta é que 90% dos cariocas sejam imunizados contra a Influenza até o fim do inverno. Durante essa semana, foram 4 mil pessoas vacinadas em diferentes pontos da cidade, incluindo estações de metrô.
Apesar da baixa procura, a cidade ainda apresenta um número reduzido de casos de gripe, que costumam aumentar com a chegada inverno, período no qual as doenças respiratórias são mais comuns. De acordo com Soranz, esse cenário pode ser a justificativa para a pequena taxa de imunização.
"Temos um cenário epidemiológico bem favorável, com poucos casos acontecendo. Então, muitas vezes as pessoas não se atentam à importância da prevenção e só percebe depois que o número de casos aumenta. Essa vacina é muito importante, principalmente para quem convive com idosos e com crianças menores de seis meses de idade. A maior parte dos casos de bronquiolites infantis na cidade, hoje, já são por influenza. Então, a maior parte de internações de crianças na cidade são por influenza", alertou o secretário.
Preocupada com a gripe, a SMS também segue de olho na vacinação contra covid-19. A cobertura da primeira e da segunda doses são consideradas altas pela pasta, mas a proteção da vacina diminui com o tempo. Com isso, a população deve tomar as doses de reforço da bivalente, que protege contra as novas variantes do coronavírus, além da cepa original.
Vale ressaltar que a Prefeitura do Rio também disponibiliza o serviço de vacinação em domicílio, para pacientes acamados e com problemas de lomocação. A pessoa interessada pode contatar a Saúde da Família por meio do Whatsapp. Os contatos de todas as equipes podem ser consultados no programa Onde Ser Atendido, no qual é apresentada a unidade mais próxima ao informar o endereço. Após o agendamento, os profissionais vão na residência do cidadão e aplicam as doses.
Os imunizantes também seguem disponíveis nas unidades de Atenção Primária (clínicas da família e centros municipais de saúde), das 8h às 17h. Além disso, a vacina pode ser obtida no Super Centro Carioca de Vacinação, em Botafogo, que funciona todos os dias, das 8h às 22h, e também conta com sistema drive-thru.
Maratonistas se vacinam
O professor de matemática, Matheus Freitas, de 33 anos, contou que ficou surpreso de ver um ponto de vacinação ao fim da corrida e classificou o local como muito conveniente, porque não estava conseguindo conciliar a rotina de trabalho com os horários dos postos de saúde. 
"Além do óbvio, que a vacinação é imunização e dá a sensação de estar protegido, ela simboliza responsabilidade com as outras pessoas ao me redor, sabendo que quando eu me protejo, também protejo elas. E também significa respeito e admiração por toda comunidade científica que trabalha e estuda tanto para promover melhorias na sociedade. Nesse caso, cuidar da saúde pública do nosso país", argumentou o professor.
A maratonista Roberta Borges, de 37 anos, também se imunizou no local e afirmou que adorou a iniciativa de juntar a possibilidade de se vacinar em um ambiente de prática de esportes. "Além de ter achado prático, motivador para os cuidados com a saúde, também senti que tira um pouco da tensão que é a obrigação de se vacinar e reforça que isso é um ato de autocuidado, que acaba impactando no coletivo. Dessa forma, me sinto segura e sendo fonte de proteção ao ambiente em que participo", contou. 
* Reportagem do estagiário Fred Vidal, sob supervisão de Raphael Perucci