Na foto os casais Marlon Machado e Telma Pires, e Julio Cesar e Daniele Dias Pedro Ivo/Agência O DIA

Rio - Juízes voluntários do Tribunal de Justiça do Estado do Rio realizaram neste sábado (25) um casamento comunitário de 194 casais hipossuficientes, aqueles que estão na condição de incapacidade financeira para arcar com custos relacionados ao acesso à justiça sem prejudicar seu sustento. A iniciativa aconteceu na Catedral Metropolitana do Rio, no Centro, das 9h às 14h. Para os casais, a ação foi uma oportunidade para a realização de um grande sonho.

Ao DIA, os noivos moradores de Padre Miguel, na Zona Oeste, a auxiliar administrativa Telma Pires, 33 anos, e o motorista de aplicativo, Marlon Machado, 43, juntos há 16 anos, descreveram a sensação de poder casar na Catedral.

"Como nós somos católicos praticantes sempre tivemos esse desejo, mas realmente pela questão financeira e por falta de oportunidade fomos adiando, porque sempre aparecia outra prioridade na frente, mas quando surgiu essa oportunidade na Catedral nossa amiga e o meu marido agiram tudo, se inscreveram, e hoje estamos todos juntos, um testemunha do casamento do outro", comemorou Telma.



Os dois possuem uma filha de 14 anos e relataram um pouquinho da sua história de amor. "Somos do mesmo bairro, mas nunca tínhamos nos visto e tido muito contato, aí o Marlon veio, fez aquele charmezinho e eu caí no charme dele, agora estamos juntos até hoje. Agora estamos fincados na Igreja, nos ensinamentos, frequentamos na missa, temos nossa filha que participa do grupo de oração, e por isso a gente quis dar esse passo pra tá certo na lei de Deus também e não só na lei dos homens", finalizou Telma.

A amiga do casal, a analista fiscal Daniele Dias, 39 anos, e o marido, o pintor Júlio César Jordão, 44, também se casaram na Catedral neste sábado (25) e relataram que sempre tiveram o sonho de casar.

"Sempre foi meu sonho casar na igreja e no Civil. Eu já estou com meu marido há 18 anos, temos uma filha de 14 anos. Sempre preferimos o bem estar de nossa filha e acabamos ficando um pouco para trás. Este ano vimos uma publicação da Igreja Catedral e ficamos bem animados. Corremos para nos escrever e realizar nosso sonho de anos. Moramos próximo da Mocidade de Padre Miguel, mas nem mesmo a distância nos fez desistir", comemorou Daniele.

Outro casal, moradores da Pavuna, na Zona Zorte, José Henrique e Cristiane Salgado definiram a sensação como inexplicável. "Foi sensacional, um momento único na nossa vida, estamos juntos há cinco anos e sempre sonhamos com isso", disse o noivo.

Cristiane, que é diretora pedagógica, contou que eles não tinham condições financeiras para realizar um casamento e por isso o sonho era adiado.

"A gente se conhece há mais de 10 anos, trabalhamos juntos, fizemos faculdade diferente mas no mesmo local e depois de muito tempo a gente se reencontrou após o falecimento do meu pai e voltamos a conversar, nos tornamos a amigos, começamos a namorar, noivamos e agora casamos. Temos um filho lindo e tivemos o apoio da minha filha pra gente oficializar o nosso casamento", disse.

De acordo com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, o desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo, a realização dos casamentos comunitários se insere no crescente papel social do Judiciário junto aos cidadãos fluminenses.

“Um dos objetivos da minha gestão é aproximar a Justiça da sociedade. E os casamentos comunitários nos permitem realizar o sonho de centenas de pessoas. É uma felicidade para os noivos e também para o Tribunal de Justiça do Rio, que cumpre, assim, uma de suas missões”, ressalta o desembargador Ricardo Cardozo.

Na ação, está sendo realizada a conversão de união estável dos noivos em casamento.