A Princesinha do Mar é uma das mais conhecidas do mundo Pedro Teixeira

Há 460 anos nascia, em 1º de março, a cidade que recebeu o título de maravilhosa por suas belezas naturais, pontos turísticos e um povo festeiro e receptivo. Passados mais de quatro séculos e meio, a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro se vê diante de diversos problemas, mas seus moradores têm muito orgulho e honra em dizer: "Sou carioca". 
Para celebrar a data, será realizada, neste sábado, às 9h, no Santuário do Cristo Redentor, a tradicional missa em Ação de Graças,, presidida pelo arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Paes. Após a celebração, haverá o bolo comemorativo  e a entrega do troféu O Mais Carioca de Todos, produzido pela Sociedade Amigos da Rua da Carioca e Adjacências (SARCA).Das zonas Norte à Sul, são muitos os moradores que amam a cidade fundada por Estácio de Sá. A dona de casa Elaine Cidade, de 50 anos, é da Pavuna, e de vez em quando vai no Parque de Madureira para passear, ir aos pagodes e fazer massoterapia.
'Tenho muito orgulho de ser carioca. Também sou flamenguista e portelense. O carioca é muito amável, recebe todos bem", diz ela, que acha o povo maravilhoso e, além do parque, também gosta da Praia de Ipanema. Eliana só faz uma ressalva para o aniversário da cidade: "Eu diria que merecemos mais saúde, mais educação, menos violência. Nós merecemos porque o Rio de Janeiro é lindo, maravilhoso. E merece ser feliz".
A maquiadora, trancista e professora de dança Marcelle Monique, de 39 anos, que mora em Guadalupe, é apaixonada pela cidade e pelo povo carioca.
"Sou nascida em Campinho. O que mais gosto do Rio é o acesso a todas as coisas. A gente tem de tudo um pouco: praia, montanha, cachoeira. Tenho muito orgulho de ser carioca. É um povo mais alegre. Temos o biscoito globo, o mate. É engraçado que não dá para parabenizar o Rio só pelas coisas, mas pelas pessoas, que são as mais divertidas do Brasil. Não estou me gabando porque tem pessoas legais em todo lugar. Mas eu acho que o carioca encontra força e energia em qualquer coisa, independente da situação. A gente não deixa ser levado pela situação. A gente enverga, mas não quebra".
O aposentado Nilo Francisco, de 63 anos, morador do Méier, marca presença no espaço de lazer da Zona Norte duas vezes por semana e gosta muito. Ele só anda meio zangado com algumas questões. "A cidade anda precisando de mais atenção, principalmente em educação, saúde e segurança. Sou de Campos mas estou no Rio há 60 anos. A cidade é incrível: você tem o mar, a praia, montanha, pontos turísticos como o Corcovado e o Pão de Açúcar", diz ele.
O Parque de Madureira é bem democrático. Além de pessoas caminhando, fazendo exercícios na academia da Terceira Idade, também encontramos quatro meninos que não tiveram aula e aproveitaram para tombar banho e brincar numa cascata artificial.
Vendedor de mate e limão é uma das tradições

De Madureira, a equipe de reportagem rumou para outra parte da cidade, também democrática, a Praia de Copacabana, onde encontramos um dos patrimônios culturais da cidade, o vendedor de mate e limão. Agora, Rodolfo Passos, de 33 anos, assim como outros, também vende refresco de maracujá.
"Sou carioca da gema, nascido em Benfica, e praiano desde criança. Os lugares que mais gosto são Leme e Copacabana.  Costumo dizer que a praia é a minha segunda casa. Trabalho de segunda a segunda e vou do Leme até o posto seis umas quatro vezes. Só vou embora quando o material acaba", diz Rodolfo, pedindo menos desigualdade na Cidade Maravilhosa.
A maquiadora Juliana Rodrigues, de 32 anos, mora há quatro na Princesinha do Mar  e tem muito orgulho da cidade e do bairro que vive atualmente. "Copacabana é mundialmente conhecida. É o cartão-postal. Um bairro incrível, tem história. A gente tem muitas lendas vivas na vizinhança".
Para Juliana, a cultura é um ponto alto. "Parabenizaria o Rio por conta dos incentivos à cultura. Por todos esses movimentos de shows que têm acontecido na praia para pessoas que não têm acesso. Isso é extremamente importante, inclusive para que os gringos tenham acesso à diversidade cultural da cidade inteira, tanto dos subúrbios, de áreas periféricas e da Zona Sul. Acho que as políticas de segurança pública deveriam melhorar, para deixar esse acesso de ir e vir mais tranquilo para os cariocas e para quem vier visitar ficar com uma saudade boa".

Sétimo destino mais procurado do mundo

Os cariocas se orgulham e os turistas, sejam os de outros estados e de países diversos, se encantam com o que o Rio proporciona, desde as rodas de samba, da caipirinha, do desfile das escolas de samba até às praias, montanhas e cachoeiras, e muitos pontos turísticos, além da gentileza e alegria do povo.
De acordo com a plataforma de viagens Booking, o Rio de Janeiro é a sétima cidade mais procurada em todo o mundo para passar o verão. As subidas do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor sempre estão repletas de visitantes, a maioria estrangeiros. Dona Maria Carvalho fugia à regra.
Moradora de Monte Santo, em Minas Gerais, ela e uma turma vêm há 12 anos passear durante as férias. "Ficamos em Cabo Frio, mas a gente tira um dia para vir aqui no Pão de Açúcar e no Cristo Rendentor. Adoramos a hospitalidade carioca. Às vezes a gente vem em dois ônibus".
Quem também é de Minas, mas abraçou o Rio é o artista de rua Maximilhan Showcair, de 45 anos, que há 25 faz o trabalho como estatuísmo ou estátua viva. Ele estava na subida para o Pão de Açúcar e agradava os turistas com sua performance sob o calor de quase 40 graus.
"Estou aqui há mais de 20 anos e vivo da minha arte. Sou de Juiz de Fora (Minas Gerais), mas carioquei. Vou para os pontos turísticos e também faço eventos quando me contratam". Para o artista, o melhor da cidade é que o povo é muito receptivo e respira cultura. Ele manda um parabéns pelos 460 anos.
"O Rio é lindo. Parabenizaria com o melhor que eu posso transmitir, que é a minha arte e é uma troca. Um presente tanto da cidade para mim como artista e de mim para a cidade", vibra.

Sonho de voltar logo

Pela primeira vez no Rio, a maranhense estudante de veterinária Júlia Viana, de 24 anos, estava encantada e ansiosa para conhecer um dos maiores pontos turísticos, o Cristo Redentor.
"Estou arrepiada até (ela mostra para a equipe de reportagem o braço) aqui há quase uma semana e adorando. Fui às praias de Copacabana e Ipanema. Adorei. A água é azulzinha. Também fui a vários museus como o Amanhã, o de Arte do Rio e o CCBB. Também estive na Candelária e na Biblioteca".
Júlia gostou tanto que pretende voltar em outra ocasião. "Meu sonho". A estudante não sentiu a violência que muita gente atribui ao Rio. "A cidade é muito boa e acolhedora. Eu me senti segura. Falam que é muito perigoso, mas não foi assim".
Para passear tanto, Júlia teve a companhia do amigo Giovanni Pires, de 18 anos, que  ama o lugar onde nasceu. "Sinto muito orgulho de ser carioca. Gosto da Praia de Ipanema e, para curtir à noite, da Lapa’’, diz ele que não se cansa de ciceronear amigos e amigas que vêm ao Rio. "Todos querem sempre conhecer o Cristo Redentor e as nossas praias".

Um gari que é a cara da cidade

Ele é a cara do Rio. Afinal, quem não conhece o samba no pé do gari Renato Sorriso que chama a atenção entre o intervalo das escolas no desfile da Marques de Sapucaí, na maior festa da terra, o Carnaval?
O próprio brinca e rejeita o apelido afetuoso. "Quem é a cara do Rio é o Neguinho da Beija-Flor", diz ele, um apaixonado pela cidade. "Sou carioca nascido em Madureira, então digo que sou madureirense. Tenho muito orgulho de ser carioca. Neste aniversário do Rio, eu quero pedir desculpas ao que faço de errado em nossa cidade e pedir que o povo brasileiro respeite o seu local. Acho que o carioca precisa ter mais cautela, respeito, melhor conduta como separar o lixo e não fazer xixi no chão", pontua.
Intitulando-se como um carnavalesco que não tem bandeira, Renato Sorriso só deixou escapar que o coração bate um pouco mais forte pela União da Ilha, mas gosta de todas as agremiações também e ficou em cima do muro ao ser indagado sobre qual o seu lugar predileto.
"Gosto de todos os bairros. O Rio de Janeiro é muito grande. Ando a pé do Campo dos Afonsos a Irajá. Não dá para escolher um bairro. Temos praias, cachoeira, montanha. Já estive em 13 países da Europa, mas lugar lindo como o Rio de Janeiro não tem", diz ele, que só pede para que haja mais união entre a classe humana.

Paixão desenfreada
O fotógrafo Carlos Monteiro é daqueles tão apaixonados pela cidade do Rio de Janeiro que se alguém falar mal ele bota para correr, no bom sentido, é claro como um bom carioca da gema, acolhedor, flamenguista e portelense, nascido em Santa Teresa há 66 anos e atualmente morador do Humaitá.
"Tudo é carioca na minha vida. Não dispenso uma roda de samba, a baixa gastronomia e sou umbandista. O povo é ecumênico, vai na umbanda, na missa, no templo budista. Ser carioca é um estado de espírito, ou melhor, é espiritual de respeito ao próximo".
Quando recebe amigos na Cidade Maravilhosa, faz questão de levar na Mureta da Urca, para tomar um banho de cachoeira no Horto e para assistir o amanhecer do Mirante do Leblon, todos na Zona Sul. Se o passeio for gastronômico, ele indica o Bar da Amendoeira em Maria da Graça, na Zona Norte.
A paixão pelas imagens e pela Cidade Maravilhosa levou Carlos a fazer o livro Rio, um estado de espírito, as histórias dos fantasmas cariocas, ao lado do jornalista Nelson Vasconcellos.
"Abordamos histórias no Castelinho do Flamengo, no Museu da República, no Theatro Municipal. Quisemos fugir do clichê para contar casos como o de uma bailarina que iria fazer sua estreia e foi em casa tomar banho. Ela foi atropelada e não estreou. Dizem que até hoje assombra os visitantes com o seu choro", conta o fotógrafo, que saiu de Santa Teresa, mas seu coração continua por lá.
"É o bairro mais democrático do Rio de Janeiro. Pobres, ricos, brancos, negros, brasileiros e estrangeiros convivem perfeitamente".

Nasceu como um milagre
A cidade de "São Sebastião do Rio de Janeiro" foi fundada por Estácio de Sá em 1° de março de 1565, quando ele desembarcou entre o Morro Cara de Cão e o Morro do Pão de Açúcar. Foi a segunda cidade do Brasil, depois de Salvador, fundada em 1549 (antes só havia vilas e aldeias na colônia).
O nome era uma dupla homenagem a Dom Sebastião, o rei-menino, monarca de Portugal, e a São Sebastião, a quem se atribui um milagre que culminou na fundação da cidade.