Lara diz que agentes chegaram em sua casa de forma violentaRede Social
Na porta da Cidade da Polícia, a neta, que é presidente da Escola de Samba da Unidos de Padre Miguel, disse que não houve troca de tiros e que a família foi abordada de forma truculenta pela polícia. Segundo as alegações, os agentes teriam cometido abuso de autoridade.
"Não teve troca de tiro alguma, a polícia entrou na minha casa atirando, agredindo a minha avó de 62 anos, que tem câncer, agrediram minha tia, agrediram a gente, esculacharam. Meus irmãos estavam dormindo, isso não existe! Que esculacho é esse? A gente não vai se calar, a gente quer ser ouvido, a gente é família, a gente não é bandido, quer levar preso? Tem mandado de prisão? Vem na moral. Não existiu troca de tiros, esculacharam a gente e queremos lutar pelos nossos direitos", disse.
Ainda segundo Lara, ela teve o portão atingido por disparos. "A polícia entrou na minha casa esculachando, isso não existe! Lá também vive trabalhador, eu estudo, eu faço Direito, sou estudante, também sou trabalhadora, não sou bandida, não sou criminosa, minha família não é criminosa, que esculacho é esse? Entraram atirando. A porta da minha casa está cheia de cápsulas. Deram um soco na boca da minha avó. O que uma senhora de 62 anos que tem câncer vai fazer contra a polícia? A minha tia, que tem problema de lúpus?", afirmou.
A presidente da escola reforçou ainda que a família não estava armada e questionou a ação dos policiais. "O que a gente fez? A gente estava armado? Isso é um absurdo. Estou indignada, trataram meu avô igual um bicho. Não teve troca de tiros. Eles deram um tiro para arrombar o portão da minha casa. Estou indignada, isso não existe e vou lutar pelos meus direitos porque isso não pode acontecer", finalizou.
Operação
Criador da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), Celsinho tem um histórico de fugas em presídios. Preso pela primeira vez em 1994, ele fugiu da penitenciária Milton Dias Moreira, no Complexo de Gericinó, mas foi recapturado dois anos depois, por policiais militares, na comunidade que ele comandava.
Em 1998, o traficante conseguiu fugir novamente do sistema penitenciário após ser transferido para retirar uma bala alojada no braço direito no Hospital Penitenciário Fábio Maciel, na rua Frei Caneca, no Catumbi, Região Central do Rio. Ele não realizou a intervenção, e teria saído pela porta da frente da unidade, vestido com uma farda da PM.
Considerado um bandido sanguinário, Celsinho chegou a negociar a própria vida com Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, chefão do Comando Vermelho, durante rebelião no Complexo de Bangu em setembro de 2002. Na época, traficantes ligados ao chefe da facção Comando Vermelho teriam executado quatro chefes de grupos rivais. Ele teria conseguido se manter vivo alegando que passaria o controle de venda de drogas da Vila Vintém para a facção rival.
Em 2014, ele foi transferido para uma unidade federal após ser apontado como o idealizador — mesmo preso — de uma tentativa de resgate de internos no Fórum de Bangu, em 2013. Na ocasião, uma criança de 8 anos e um policial foram mortos.

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