Grupo que extorquia comerciantes no Mercado Popular da Uruguaiana foi alvo de operaçãoReginaldo Pimenta / Agência O Dia

Rio - A Polícia Civil e o Ministério Público realizaram uma operação, na manhã desta quinta-feira (22), contra um grupo que extorquia e ameaçava responsáveis de boxes no Mercado Popular da Uruguaiana, localizado no Centro. Nove pessoas foram presas, incluindo o líder da quadrilha. 
De acordo com as investigações, a quadrilha realizava as extorsões, exigindo o pagamento de taxas para o funcionamento dos boxes no local, com a desculpa de ser uma "contribuição associativa".
Além disso, os criminosos cobravam valores referentes ao consumo de energia elétrica. Caso os pagamentos não fossem realizados, o grupo cortava a energia dos estabelecimentos das vítimas, sendo só reestabelecida mediante compensação financeira.
Segundo a Polícia Civil, as cobranças eram feitas de forma violenta e com ameaças, inclusive com uso de armas de fogo, visando intimidar os trabalhadores. As vítimas eram coagidas para realizar os pagamentos, sob pena de terem seus negócios inviabilizados, e até de serem expulsos do local, perdendo o ponto e a mercadoria.
A organização criminosa também vendiam boxes de forma irregular, uma vez que o espaço do camelódromo é público, só podendo ser cedido por ordem e autorização da Prefeitura do Rio. Os valores variavam entre R$ 60 mil e R$ 80 mil. Os membros do grupo realizavam também a lavagem do dinheiro obtido, repassando-o para contas de laranjas e reinvestindo em boxes no próprio mercado.
A investigação identificou a participação de um policial civil aposentado e de um policial penal. Segundo o delegado Álvaro Gomes, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), o líder do grupo é um advogado, que movimentou R$ 2 milhões para si próprio desde 2019. Ao todo, a quadrilha conseguiu pelo menos R$ 7 milhões.
"Quem era o cérebro era um advogado. Ficou muito patente nas investigações que ele tinha como colocar o dinheiro em outros empreendimentos. Inclusive, um dos que foi escolhidos era uma lavanderia. Chega a ser irônico lavar dinheiro utilizando uma lavanderia", contou.
Agentes da Draco e do MPRJ cumpriram nove dos 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça do Rio. O chefe do esquema foi localizado na cidade de Fortaleza, no Ceará.
Todos os nove mandados de busca e apreensão foram cumpridos. As ações foram realizadas no Camelódromo do Centro, na Barra da Tijuca e em cidades da Baixada.
"Essa operação visou trazer de volta a paz aos comerciantes do local para que possam exercer suas atividades de forma tranquila, sem ser extorquidos e que os boxes e as propriedades fiquem nas mãos das pessoas que recebem autorização e não nas mãos dos organização criminosa", completou o delegado.
A operação Feira Livre II decorre de denúncia do Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra 14 integrantes do grupo. Eles vão responder pelos delitos de organização criminosa armada, extorsão, usurpação de função pública e lavagem de dinheiro.
Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que foi identificada a existência de medida cautelar judicial contra o policial penal citado envolvendo a suspensão do exercício da função pública, bem como a suspensão do porte, posse e registro de armas de fogo, além do recolhimento de armas, munições e identidade funcional.

A pasta destacou que já realizou a identificação do servidor e está em processo de verificação da sua situação funcional atual, especialmente quanto à eventual concessão de licença ou afastamento do cargo.
"Tão logo concluída essa análise, serão adotadas as providências administrativas cabíveis, em conformidade com a legislação vigente", disse em nota.
Novo mercado
No início de maio, a prefeitura anunciou a abertura do processo de licitação para escolher a empresa que vai realizar as obras no novo Mercado Popular da Uruguaiana após o local ser atingido por um incêndio no início deste ano.

O projeto prevê a transformação da estrutura em uma espécie de shopping, com quatro pavimentos que vão contar com cerca de 1,6 mil boxes. A previsão é que o camelódromo tenha mais espaço nas áreas comuns. O orçamento estimado da obra é de R$ 84,4 milhões, com prazo de conclusão de 16 meses. A licitação será aberta no dia 9 de junho.
A proposta propõe a demolição do mercado existente e a reurbanização completa do entorno, com a criação de um boulevard que conectará as ruas Uruguaiana e Presidente Vargas, incentivando a circulação de pedestres e promovendo maior integração com o espaço urbano.
*Colaborou: Reginaldo Pimenta