Policial é baleado no pescoço em operação na Rocinha que mira chefes do tráfico do Ceará
Criminosos escondidos na comunidade ordenaram mais de mil mortes nos últimos dois anos, segundo investigação; um homem com mandado de prisão em aberto foi preso
Movimentação da Rocinha, na manhã deste sábado (31) - Érica Martin / Agência O Dia
Movimentação da Rocinha, na manhã deste sábado (31)Érica Martin / Agência O Dia
Rio - Um policial militar foi baleado no pescoço durante uma operação na Rocinha, Zona Sul, na manhã deste sábado (31). As autoridades levaram o agente para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, e ele não corre risco de morte. A incursão, realizada pelas forças de segurança do Rio e Ceará, mirou líderes da facção Comando Vermelho (CV) que coordenam o crime organizado no estado nordestino, e utilizam a comunidade como base estratégica. Moradores relataram tiros desde a madrugada.
Movimentação da Rocinha na manhã deste sábado (31). Moradores acordaram com uma operação que mira criminosos do Ceará se escondendo na comunidade.
A ação teve como objetivo cumprir 29 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público do Rio, mesmo à distância, os procurados continuavam orientando remotamente práticas criminosas, como tráfico de drogas e execuções no Ceará. "Há indícios de que mais de mil homicídios tenham sido ordenados do Rio para aquele estado ao longo dos últimos dois anos. Todo o trabalho está sendo monitorado em tempo real", ressaltou o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira.
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Um homem com mandado de prisão em aberto foi preso. Os agentes apreenderam quatro fuzis, duas pistolas, um revólver, um fuzil de airsoft e munição. Segundo a PM, agentes do Batalhão de Ações com Cães (BAC) apreenderam 204kg de entorpecentes na ação, causando um prejuízo estimado de R$ 268 mil ao crime organizado. As drogas foram encontradas em um terreno baldio na Rua Dionéia.
A PM utilizou drones e outros recursos tecnológicos e para mapear a área. A corporação informou que os agentes encontraram também uma uma academia clandestina, que funcionava em um prédio chamado pelo tráfico de "República do Ceará". O governador Cláudio Castro monitorou a ofensiva no quartel-general da corporação.
| Bala Tá Comendo Firme na Rocinha (CV), Muitos Tiros e Explosivos na Região, Evitem Passar por Perto quem for Trabalhar ou Resolver Algum Compromisso. pic.twitter.com/GeAmII3XLC
"A operação mostra a importância da integração entre os estados no combate ao crime organizado. Desde a madrugada, estou acompanhando cada passo dessa ação, que é estratégica para enfraquecer grupos que desafiam a segurança pública", afirmou Castro.
Ao DIA, um morador que preferiu não se identificar contou que os agentes não esperaram "nem a luz do Sol chegar". "Foi a mesma coisa da última operação. Foram nos mesmos lugares, deram tiro nos mesmos lugares. A casa na Dionéia, que na última operação foi destruída, reformaram a casa e ela foi destruída de novo. Mas foi isso, duas horas de tiroteio intenso, de umas 4h30 até umas 6h", explicou.
A ação contou com apoio das tropas especializadas do Comando de Operações Especiais (COE), que reúne o Bope, o Batalhão de Choque e o Primeiro Comando de Área, além de equipes da Polícia Civil cearense e da inteligência integrada entre os dois estados.
A investigação foi realizada pelo serviço de inteligência da Polícia Militar, em conjunto ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), braço do Ministério Público do Ceará, pela Secretaria de Segurança cearense, e o Ministério Público do Rio.
O patrulhamento nos acessos da Rocinha foi intensificado.
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