Apreensões feitas pela Draco durante operação Menu do CrimeÉrica Martin/Agência O Dia

Rio - A Polícia Civil realiza uma operação, nesta terça-feira (17), contra uma organização criminosa que utilizava "quentinhas" para entregar drogas, celulares e outros itens proibidos em presídios.

Batizada de Menu do Crime, a ação é realizada por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e conta com o apoio de unidades dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE) e da Capital (DGPC) e da Corregedoria da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

São cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços no Centro, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá e Bangu, na Zona Oeste, Ilha do Governador, na Zona Norte, e Duque de Caxias e São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

As investigações se iniciaram a partir de uma prisão em flagrante, em Bangu, realizada em 2023. Na ocasião, agentes da Seap flagraram o motorista de uma van de entregas no interior do presídio Nelson Hungria transportando diversas "quentinhas" adulteradas.

Na ocasião, foram apreendidos 20 kg de drogas, entre maconha e cocaína, 71 telefones celulares, 19 chips, 96 carregadores de telefone, 96 fones de ouvido e três balanças de precisão. Além do motorista, dois agentes da Seap também foram presos por terem facilitado a entrada dos bens.

Os criminosos aliciavam pessoas na empresa que fornecia as marmitas para que não colocassem os lacres corretos na van, deixando-os com o motorista. Depois, o veículo, que deveria seguir diretamente para o presídio, desviava a rota e parava em estabelecimentos para realizar a troca de marmitas boas por adulteradas.

O lacre correto era colocado e a van seguia para o seu destino. Nos presídios, policiais penais que estavam em conluio com o esquema criminoso facilitavam a entrada, não realizando as vistorias devidas, permitindo que as quentinhas com drogas, celulares e outros ilícitos chegassem até os presos.
A delegada Carolina Cavalcante, da Draco, contou que as investigações, que já duram quase dois anos, culminaram na expedição de mais de 30 mandados contra a quadrilha

"Foram instauradas diversas diligências para entender a atuação dessa organização criminosa, o que desencadeou o cumprimento de mais de 30 mandados de busca e apreensão. Nós realizamos diversas diligências, e, a partir daí, as investigações vão continuar após a perícia do material eletrônico apreendido, buscando identificar todos os agentes envolvidos, bem como outras pessoas, prestadoras de serviço, não necessariamente servidores públicos, que participavam do esquema, que eram aliciados para participar, tanto no transporte, quanto na não realização do lacre, das vans que transportavam esse material", disse.

Além disso, após a prisão de envolvidos no esquema criminoso, as investigações ainda apontaram que o grupo alterou o modo de cometer os crimes.

"Eles paravam com essas quentinhas num depósito onde eram abastecidas com material ilícito e a partir daí era feito um esquema com os agentes penitenciários que estavam de plantão para que fosse realizada a entrada desse material para os presos. Cabe destacar que, desde essa prisão em flagrante, eles mudaram o modus operandi, tentando prejudicar a atuação da polícia e as investigações, mas nós continuamos monitorando todo esse esquema criminoso", explicou.
A ação desta terça visa obter outras informações sobre todo o esquema criminoso, bem como identificar todos os envolvidos e rastrear o destino dos valores percebidos durante as operações criminosas.