Voluntários confeccionaram 238 tapetes de sal em 2 km de extensãoBrenda São Paio / Agência O Dia
Corpus Christi: fiéis renovam tradição e confeccionam maior tapete de sal da América Latina em SG
Cidade celebrou os 30 anos do evento, reunindo milhares de pessoas
Rio - Milhares de fiéis se reuniram, nesta quinta-feira (19), para participar da maior celebração de Corpus Christi da América Latina, no Centro de São Gonçalo, na Região Metropolitana. A festividade, que completa 30 anos em 2025, reuniu voluntários que confeccionaram 238 tapetes de sal em 2 quilômetros de extensão, ocupando as ruas Coronel Moreira César, Feliciano Sodré e Nilo Peçanha.
Neste ano, mais de 100 mil pessoas participaram do evento, incluindo integrantes de 27 paróquias, colégios, comunidades católicas e escolas municipais.
Tradição de família
Rosana de Oliveira, de 51 anos, é da Paróquia Nossa Senhora das Graças. Empolgada por participar da celebração, ela colocou os pés no chão pela primeira vez desde fevereiro, quando foi atropelada por um carro e quebrou o tornozelo, e confessou ao DIA que "não tem lugar melhor que este" para voltar a andar.
"Uma dádiva de Deus poder participar mais um ano. Me emocionei em poder ajudar a confeccionar o tapete. Pude sentir a presença de Cristo. O tapete representa um dos sacramentos mais importantes do catolicismo com a hóstia consagrada, símbolo do corpo e o sangue de Jesus", disse.
Quem também faz parte da mesma paróquia de Rosana é a sua irmã, Mariluci de Oliveira, 53, que não escondeu a alegria em marcar presença na festividade. "Cada ano é uma emoção diferente, onde sentimos o amor, união, paz e a solenidade do Santíssimo Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo. Eu faço parte da Pastoral da Criança da Igreja Nossa Senhora das Graças. Nós escolhemos os desenhos dentro dos temas apresentados. A Prefeitura doou sete pacotes de sal, saco de tintas coloridas e luvas", explicou.
Processo de confecção
Flávia Pereira, 60, é da Paróquia São José Operário, do bairro Jardim Catarina, e acompanha o evento desde 1998. Ela afirmou "não ter palavras" para descrever o sentimento em participar das confecções dos tapetes de sal novamente e detalhou como eles são feitos.
"Na nossa paróquia, picamos com seis tapetes. Eles são divididos entre a paróquia e as comunidades. Para a matriz, no caso que eu pertenço, foram dois tapetes. A gente desenha tudo, já começa, traz ele quase pronto, e depois só cobre com o sal. O material que a gente usa é basicamente sal, e as listras, fazemos com eva", explicou.
"A gente tem o cuidado de não fazer nada que venha a ferir, machucar quem está trabalhando. Quem vai passar por cima, também na hora de reciclar, de tirar, tem que tomar todo um cuidado para não usar material que seja nocivo, porque isso vai para o lixo, natureza, então tem que se preocupar com isso também."
Neste ano, fiéis puderam escolher entre os temas: alimento da Esperança; Jubileu da Esperança; Campanha da Fraternidade de 2025, de Ecologia Integral; homenagens ao Papa Francisco, que concluiu o seu pontificado com o falecimento no último mês de abril; além dos tradicionais desenhos dos padroeiros.
Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, no Patronato São Gonçalo, Rainer Garcia, 32, detalhou que os fiéis contam com doações do povo para as confecções. "Tentamos ver ali as cores que vamos usar pra fazer o desenho, e a gente começa realmente a pedir às pessoas nas missas, e elas vão trazendo. No caso, a gente não usou, mas quando usa, pote de café, tampinhas de garrafa, tem muitos tapetes que usam. Então, geralmente, a gente vê o material que vai precisar, pede para a comunidade e eles vão trazendo", ponderou.
Festa para todos
Muitas pessoas também vão ao local somente para prestigiar a festa. Entre grupos de amigos, namorados e famílias, uma opinião é unânime: visitar os tapetes de sal anualmente se tornou uma tradição gonçalense, passada de geração em geração.
É a situação do casal Silvia, de 35 anos, e Fernando, 37, que levaram a sua filha até o Centro da cidade. Atualmente, ele optou por deixar de lado a confecção e aproveitar ao lado dos familiares.
"Atualmente a gente vem mais para ver. Eu, no caso, já participei mais, por ser católico", assumiu Fernando. Já Silvia contou que apesar de nunca ter participado da confecção, acredita que os valores passados para a filha, durante esta data, são valiosos.
"Eu particularmente acho bem importante [visitar o tapete]. A gente comentou, inclusive conversando hoje, sobre ela crescer nesse meio do catolicismo, trazer a palavra de Deus pra vida dela, andar no caminho certo", explicou ela.
Programação
Desde às 7h, o Santíssimo está exposto para adoração no interior da Paróquia São Gonçalo. Há também momentos de louvor no palco.
A Santa Missa, sob a presidência do Arcebispo da Arquidiocese de Niterói, Dom José Francisco Rezende Dias, começou às 16h. Depois, os fiéis saíram em procissão pelas ruas do Centro.









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