Dandara Vital, assistente de Leandro Vieira na União de Maricá, reforça acolhimento que recebe no universo do CarnavalDivulgação
Escolas de samba reafirmam papel de acolhimento para comunidade LGBTQIAPN+
Império Serrano promove, neste sábado, oficialização da união de 30 casais; na União de Maricá, artista trans se destaca ao lado do carnavalesco Leandro Vieira
Rio – As escolas de samba têm se reafirmado, cada vez mais, como espaços de afeto e transformação social para a comunidade LGBTQIAPN+, através de projetos de acolhimento e eventos, em um país o preconceito ainda é gigantesco. O Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans e travestis, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), com 122 mortes registradas em 2024.
Integrante da União de Maricá como assistente do carnavalesco Leandro Vieira, a artista trans Dandara Vital, conta que se sente respeitada no universo das agremiações. "O bom do Carnaval é que eu sou vista como profissional. Em outros locais, eu era 'a trans que trabalhava na empresa'. Aqui, eu sou a Dandara, que trabalha com arte", afirma.
Ela começou no samba em 2019 como voluntária, e logo encontrou na função não só uma função, mas um espaço para ser livre. "Já fui demitida por estar com o cabelo grande e as unhas pintadas. No Carnaval, isso não acontece. Aqui, posso ser quem eu sou", diz Dandara, que também é assistente de Leandro na Imperatriz.
Celebração
Em homenagem à celebração do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, neste sábado (28), o Império Serrano realiza o projeto "Festa do Orgulho e Casamento LGBTQIAPN+". Na celebração, 30 casais vão oficializar suas uniões civis na quadra da escola, em Madureira.
O evento, com entrada gratuita, terá missa ecumênica, show de transformismo, música ao vivo, a presença dos segmentos do Império e a bênção de figuras importantes do Carnaval, como as rainhas de bateria Quitéria Chagas e Bianca Monteiro, da Verde e Branco da Serrinha e da Portela respectivamente, além da ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, confirmada como madrinha do evento, dentre outras personalidades.
Para Josimar Viana, diretor do departamento comunitário do Império, a iniciativa é um passo além do discurso. "Pensamos em cada detalhe para garantir um momento digno e respeitoso. Nossa prioridade foi que ninguém pagasse nada. A escola de samba também é um espaço de cidadania", analisa.

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