Escritor Sagat B (à esquerda), detento Australiamar Fernandes e Marco Lucchesi, presidente da FBN, durante entregaSEAP / Divulgação
Cadeia recebe doação de 1.500 livros da Biblioteca Nacional após detento enviar carta
'Se conseguirmos humanizar esses espaços, estaremos avançando na construção de uma sociedade mais inclusiva', destacou Marco Lucchesi, presidente da instituição
Rio - Um pedido feito por carta por um detento da Cadeia Pública Inspetor Luís Fernandes Bandeira Duarte, em Bulhões, distrito de Resende, no Sul Fluminense, resultou na doação de 1.500 livros para a unidade prisional. A solicitação, enviada por Australiamar Fernandes à Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), foi encaminhada à Biblioteca Nacional.
Presidente da instituição, o escritor Marco Lucchesi decidiu atender ao pedido e entregou pessoalmente os livros na última terça-feira (24). O acervo inclui títulos de diversas áreas, além dos exigidos pelo Programa de Remição de Pena pela Leitura. O objetivo é oferecer acesso à formação crítica, ao conhecimento e à reconstrução da identidade dos internos.
Marco Lucchesi, que também é lembro da Academia Brasileira de Letras, destacou que ações como essa ajudam a transformar o ambiente prisional em um espaço de conhecimento e reconstrução. "Se conseguirmos humanizar esses espaços, estaremos avançando na construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e voltada para o futuro", afirmou.
De acordo com informações do site da Biblioteca Nacional, o escritor Sagat B, ex-interno do sistema prisional e autor de dois livros contou como o acesso à literatura o ajudou a mudar de vida. Ele também participou da entrega. "Pude sair do crime, de fato. Há possibilidade de mudança, de uma vida mais digna", disse.
Com a doação, o acervo da cadeia passa a ter mais de dois mil títulos, segundo o diretor da unidade, Douglas Lugão. Além disso, foi anunciado a criação de uma nova sala de leitura.

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