Perito Nelson Massini, responsável por revisar a necropsia de Juliana MarinsÉrica Martin/Agência O Dia

Rio – A niteroiense Juliana Marins morreu 32 horas após a primeira queda no Monte Rinjani, Indonésia, no último dia 22 de junho. É o que aponta a estimativa da Polícia Civil, apresentada em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (11), na sede da Defensoria Pública da União no Centro do Rio.
De acordo com o médico perito Reginaldo Franklin, as autoridades chegaram a esta conclusão a partir de análises de larvas que estavam no corpo dela, apontando em qual momento elas teriam eclodido.
"Essas larvas, uma vez identificada a espécie, é conhecido o desenvolvimento da mesma, a partir de dados da literatura. Levando em consideração que essas larvas vieram de um país que dados climáticos é completamente diferente das larvas encontradas no Brasil. A partir do entendimento do comportamento dessas larvas é possível saber como foi a postura das mesmas no cadáver", explica Reginaldo Franklin.
O perito Nelson Massini, responsável por revisar a necropsia, contou que as lesões no fêmur e na bacia de Juliana indicam que a última queda foi lateral. A publicitária também teve ferimentos em órgãos importantes, como cérebro, fígado e rins. Um machucado na testa indica que a cabeça dela se chocou com pedras. "Foi uma morte muito sofrida, de muita agonia", lamentou.
Quem também participou da coletiva foi a irmã da jovem, Mariana Marins, que voltou a denunciar negligências por parte do parque. "Demoraram a chamar o socorro, demoraram a chegar até lá alegando as condições do tempo. No dia em que a Juliana foi encontrada, havia uma neblina muito forte, e mesmo assim foram voluntários que a localizaram. É muito estranho que não tenham conseguido chegar antes. Faltava corda suficiente. No dia 22, por exemplo, não houve nenhuma tentativa expressiva de resgate. Foram várias falhas seguidas", afirmou.

Mariana também levantou a possibilidade de um recorte racial. "Os turistas da região, em sua maioria, são brancos europeus. Todos os grandes resgates aconteceram com pessoas europeias. Será que teve um recorte de raça? Será que pensaram 'ninguém vai procurar por essa menina'? Talvez. Mas a gente não tem como ter certeza. São suposições", disse.
Laudo do IML
O laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), concluído na última terça-feira (8), apontou que Juliana morreu devido a diversos traumas sofridos em queda na trilha que fazia pelo Monte Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia, em junho. O documento cita hemorragia interna causada por lesões poliviscerais e politraumatismo "compatíveis com impacto de alta energia cinética".
A causa já tinha sido apontada em autópsia realizada por um médico-legista no país asiático. Em relação ao tempo em que Juliana, 26 anos, permaneceu viva, o profissional falou em 20 minutos após os traumas, mas não soube identificar se foi a primeira queda ou uma outra a responsável pelos ferimentos que provocaram o óbito.
O laudo da Polícia Civil do Rio também estimou uma sobrevida de minutos, mas não precisou o período que a niteroiense ainda resistiu depois do impacto fatal. As condições nas quais o corpo chegou ao IML, embalsamado, teriam impedido uma definição mais certeira.
Após chegar ao Rio na noite de 1º de julho, o corpo de Juliana passou pela segunda autópsia na manhã seguinte. Já no dia 4, ela foi sepultada, embora a família pensasse inicialmente em cremá-la. Na ocasião, os parentes explicaram que a mudança de planos se deu devido à morte "suspeita" e à possibilidade de exumação para novos exames.
Acidente
Juliana desapareceu após cair da trilha no Monte Rinjani no último dia 21. Na ocasião, foi localizada no sábado (21) por turistas espanhóis que passaram a monitorá-la, fazendo fotos e vídeos, inclusive com uso de drone. As imagens mostram a niteroiense sentada em uma área inclinada, aparentemente com dificuldade de se levantar e retornar.
Segundo o Parque Nacional do Monte Rinjani, as condições climáticas impediram o uso de helicóptero para o resgate, porém sete socorristas conseguiram se aproximar do ponto onde a vítima se encontrava na segunda-feira (23). No entanto, eles tiveram que montar um acampamento no local ao anoitecer. Na terça (24), a morte foi confirmada.