Rio - Uma disputa judicial entre moradores da Praça da Bandeira, na Zona Norte, e uma escola localizada na região tem movimentado o bairro nos últimos dias. O motivo do impasse é a remoção de duas árvores, que, segundo o Colégio Adventista, oferecem riscos à segurança dos pedestres e danos estruturais à rede de esgoto, enquanto os vizinhos defendem a preservação ambiental.
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Inconformados com a decisão de retirada, os moradores entraram na Justiça para tentar impedir a remoção. O grupo também argumenta que a árvore é abrigo para diversas aves, micos e outros animais silvestres da região.
Na noite da última terça-feira (15), a Justiça concedeu uma liminar proibindo a derrubada das árvores. A decisão foi comemorada pelos moradores da região, mas a escola confirmou que irá recorrer.
Uma das vizinhas da escola, que está a frente contra essa demolição, a advogada Claudia Machado, contesta a decisão da instituição, liberada pela Fundação Parques e Jardins: "O ponto é: apesar da autorização, ela não diz que as árvores estão condenadas, ao ponto de justificar sua retirada."
O analista de segurança da informação Marcelo Machado, também morador da região, manifestou o descontentamento: “A derrubada da árvore em frente ao Colégio Adventista é um absurdo. Ela é um símbolo de vida e resistência, um pulmão para a comunidade e lar para a fauna. Pedimos que as autoridades e o colégio reavaliem essa decisão, considerando o impacto ambiental e social. A comunidade está unida em defesa dessa árvore.” declarou
“O colégio está em obras e eles têm contato em várias instâncias, querem derrubar a árvore para fins estéticos. Lá tem muitas maritacas, micos, não é justo. Apresentaram um laudo raso e é isso”. declarou outra moradora da região.
Em nota, o Colégio Adventista se pronunciou sobre o caso e alega que a decisão - autorizada pela Prefeitura - foi baseada em laudos técnicos de um engenheiro florestal e de um engenheiro civil. "Os documentos apontam riscos à segurança dos pedestres e danos estruturais à rede de esgoto da unidade", diz um trecho.
A Fundação Parques e Jardins informou em nota, nesta sexta-feira (18), que duas mungubas localizadas em frente ao colégio, causaram danos à calçada e ao sistema de esgoto da unidade.
"Um laudo técnico confirmou que as raízes das árvores provocaram trincas no pavimento e obstruíram a tubulação, comprometendo o saneamento do colégio. Foi autorizada a retirada das árvores, com a obrigatoriedade do plantio de dois ipês-brancos no local e mais 40 novas árvores em área pública da cidade".
Leia a nota da escola na íntegra abaixo:
“O Colégio Adventista da Tijuca informa que a remoção de duas árvores localizadas em frente à unidade escolar foi devidamente autorizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro (processo FPJ-PRO-2025/01050).
A decisão foi baseada em laudos técnicos de um engenheiro florestal e de um engenheiro civil. Os documentos apontam riscos à segurança dos pedestres e danos estruturais à rede de esgoto da unidade, que já precisou ser refeita em outras ocasiões devido à interferência das raízes. A remoção será realizada por uma empresa credenciada, que também ficará responsável pelo remanejamento seguro dos animais presentes nas árvores, incluindo aves e ninhos.
Em cumprimento às normas e exigências do processo, e comprometido com a preservação ambiental, o colégio realizará o replantio de dois ipês-brancos no mesmo local, além do plantio adicional de 40 novas mudas de árvores.”
*Matéria da estagiária Nayra Freitas, sob supervisão de Marcela Ribeiro.
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