Os avós Alessandro e Silvia compartilham momentos bons e tristes com BrendaArquivo pessoal

Elas ou eles são das mais variadas formas. Joviais, idosos, antenados, desligados, carrancudos, alegres, tristes, sistemáticos, maleáveis, mas todos e todas têm em comum o sentimento que os une: o amor incondicional pelos netos. No dia 26 de julho é comemorado no Brasil o Dia dos Avós que, a cada ano, vem ganhando força no calendário de festividades.Afinal, os vovôs e vovós cada vez mais viram rede de apoio para os filhos que precisam trabalhar e deixam o seu maior tesouro aos cuidados das mães ou pais.  Esse é o caso da aposentada Valquíria Arantes, 71 anos, que atualmente está deixando um pouco de lado suas atividades como dança, academia, entre outras porque a filha está viajando a trabalho e coube a ela a função de tomar conta do casal de netos. O rapaz com 16, Gabriel, e a menina, Betina, de 14, filhos de sua filha Érika. Ela ajudou na criação do casal e do mais velho, o Gabriel, de 21 anos, filho do seu filho Júnior.
"Amo ser avó. Dou suporte para minha filha desde que ela se separou do marido. A menina tinha seis meses e outro uns três anos. E assim, a minha vida foi muito corrida com eles. Eu que levava para a creche, escola, natação, o médico,  para tomar vacinas porque minha filha trabalhava o dia inteiro. Além disso, eu cuidava da casa, passava a semana inteira longe da minha  porque eu morava em Nova Iguaçu. Levava para passar o carnaval comigo . Passeávamos muito. Hoje eles estão mais velhos e não precisam de tantos cuidados. É muito amor envolvido entre eu e meus netos. Fui um suporte assim bem legal para eles. Como a minha nora também mãe trabalhava eu também dividia com a mãe dela os dias de ficar com o meu neto. Eu queria ter um monte de neto mas eu acho que só vai ficar nesses três mesmo", afirma.
Filha de Valquiria, Erika Arantes, é só emoção ao falar da mãe. "Minha separação foi bem difícil, conturbada. Meu filho tinha três anos e a minha filha seis meses. Eu me vi completamente sozinha com essas duas crianças, tendo que trabalhar. O pai, a partir do momento em que não era mais meu marido, passou também a não ser um pai presente, e se não fosse a minha mãe, não fosse a avó, eu nem sei como é que teria sido. Ela largou a vida dela, o meu pai, porque eu sustentava sozinha, não tinha nenhum suporte do pai, nem emocional e nem econômico. Realmente eu acho que eu vou vai passar a minha vida inteira e eu não vou ter agradecido o suficiente a minha mãe por tudo que ela fez por mim e principalmente pelos meus filhos".
A neta caçula, Betina, é só elogios."Minha vó é simplesmente uma das pessoas mais incríveis que eu conheço. Além de ser aquela presença constante na minha vida, ela tem uma energia que parece não ter idade, vive rindo, fazendo piada, dançando na cozinha e contando histórias legais. Mas não para por aí. A comida dela é outro nível. É mais que saborosa, é mágica. Parece que cada prato carrega afeto, lembrança e aconchego. Quando ela cozinha, a casa inteira ganha cheiro de amor. Ela é aquele tipo de vó que faz todo mundo se sentir em casa, que tem um abraço que cura e uma alegria que contagia. Eu tenho uma sorte imensa de ter ela na minha vida. Mais do que vó, ela é uma amiga, uma parceira, uma inspiração… e a dona do melhor tempero do mundo".
Irmão de Betina, Antonio, também é um dos amores da vovó. "Eu amo minha avó porque é uma pessoa que me ama muito e faz tudo por mim. Faz ótima comida, é divertida e energética'.

'É o meu coração que bate fora do peito'

A também aposentada Silvia Maria de Souza Silva, de 62 anos, é daquelas avós apaixonadas, mas que também impõe limites para a única neta, hoje com 16 anos, e é muito além do que ela imaginava quando teria essa função. Quando seu filho faleceu, a pequena Brenda tinha apenas 2 anos e Silvia foi e é muito mais do que uma avó. "Estamos acostumadas a escutar que avó estraga, mima e só fica com a parte boa. No meu caso, não foi assim. Eu acabei sendo muito mais do que vó. Fiquei com a responsabilidade de educar, de sustentar, de dar carinho, de oferecer o lazer. Faço tudo com muito prazer, não era o que eu gostaria. Queria ser aquela avó mesmo que só brinca, faz vontade, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Hoje eu e o Alessandro, meu marido, tentamos suprir de verdade todas as necessidades dela. Nós damos apoio emocional, financeiro, levamos para passear, fazemos vontade. Tudo isso tentando suprir a perda do pai, que papai do céu levou e deixou ela com dois anos de idade, e a perda da mãe, que é ausente".
Ela conta que está orgulhosa da menina que Brenda vem se tornando – responsável, disciplinada e que quer sempre estar com os avós. A recíproca é verdadeira. Silvia é presente na vida da neta desde o nascimento. "Estava com ela na hora do parto. Fui eu que fiquei com ela no hospital. Com a mãe dela.. Estava ali presente o tempo todo, mas tomei a frente de verdade quando ela tinha dois anos de idade  e botei na creche, pois morava perto. Depois pegava ela todo final de semana. Foram cinco anos de toda sexta-feira ir buscá-la no Rio e segunda-feira, às cinco e meia de manhã, ter que atravessar 70 quilômetros para trazê-la pois moramos em Maricá. Tanto eu quanto o avô, que não é de sangue, mas é o que verdadeiramente está com ela o tempo todo, faz as vontades, mas ao mesmo tempo tenta educar mostrar para ela o que é certo, o que é errado e que ela tenha livre-arbítrio para escolher e mostrando que é fazendo o bem que o retorno vem", diz Silvia, que depois de uma briga judicial conseguiu a guarda definitiva da neta. "Papai do Céu nos presenteou".
Para a aposentada não existe felicidade sem a neta, para quem ela pode proporcionar uma festa maravilhosa de 15 anos no ano passado no Balroom do Alto da Boa Vista e neste mês uma viagem a Aracaju. "Brenda é um dos motivos que me fez ressurgir das cinzas. É por ela que tiro forças, todos os dias, para enfrentar qualquer desafio que Deus ache que devo passar. Ela é o meu coração que bate fora do peito!", afirma.
 Aos 16 anos, Brenda dos Santos Silva reconhece esse amor e carinho enormes. "Ser neta dos meus avós é uma das melhores coisas da minha vida.É  saber que tenho pessoas que me amam de verdade, que sempre torcem por mim e me apoiam em tudo, é ter com quem contar nos momentos difíceis e também nos mais felizes. Com eles, aprendo valores importantes, escuto histórias marcantes e recebo carinho de um jeito único. Eles me fazem sentir especial, segura e muito amada. Ele me inspiram a ser uma pessoa melhor, a valorizar a família, a respeitar os outros e a nunca desistir dos meus sonhos. Com eles, aprendo a importância das pequenas coisas na vida", finaliza.
Amor incondicional sem tanta obrigação

A também professora aposentada Julia Ramos, de 71 anos, também é só afago ao falar do único neto, Dante, de 4 anos. Para ela, é voltar a infância dos filhos sem ter tanta obrigação. "Ser avó é um amor incondicional, é memória afetiva, é ter novamente a infância dos nossos filhos sem as responsabilidades de ser mãe. Avó é aconchego, paciência, compreensão, desperta a criança adormecida no adulto quando o Neto chama - "vovó joga bola comigo", vovó brinca comigo" e, na hora de dormir, pede para conta uma história " e a vovó volta anos atrás na memória quando seus filhos eram crianças e sente como esses momento s são mágicos pra nossos pequenos e serão guardados como uma boa lembrança da infância", afirma a professora.
De acordo com Julia, dizem que o primeiro neto traz os gens da avó materna, não sei é verdade mas existe um laço muito forte que une duas gerações tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas porque a avó já fez sua trajetória, já construiu sua história e tem todo tempo do mundo para ouvir, conversar, brincar, fazer a comida preferida do seu neto e se derreter toda vez que ele diz vovó eu te amo. Aprendemos com os netos, ficamos encantados com suas conquistas, com a imaginação fértil de suas histórias e das soluções práticas e inocentes para resolver o que aconteceu em volta deles. Voltamos a ter um olhar de criança quando estamos com nossos netos com amor e doçura".

Laço eterno

Se algumas pessoas vão se afastando dos avós quando crescem, outras permanecem e ficam cada vez mais juntinhos como é o caso da universitária Laila Tomé, de 27 anos, e sua avó, a dona de casa Santilha Pereira, de 86. Elas fizeram depoimentos emocionantes para a reportagem do jornal O DIA.

Santilha Pereira

"Me considero uma segunda mãe da Laila. Junto da mãe dela, fui responsável pela sua criação, desde o seu nascimento. Mesmo que hoje ela esteja com 27 anos, ainda somos unha e carne. Sempre faço questão de reforçar o quanto a amo e o quanto me sinto amada por ela. Quando ela era criança, andava comigo para cima e para baixo. Antes de colocá-la para dormir, sempre cantávamos juntas.
Agora, moramos em casas diferentes, mas ainda permanecemos unidas. Sempre que ela me visita, passamos horas conversando e planejando passeios.
Não tive a oportunidade de estudar quando era mais nova e retornei aos estudos recentemente. A Laila é uma neta paciente e amorosa que tira as minhas dúvidas e repete as tarefas sempre que tenho dificuldade. Quando ela me liga, nosso combinado é nunca desligar o telefone sem dizer um "te amo, te amo, te amo e não dá para esconder. Vou falar para todo mundo que esse amor é para valer.Peço todos os dias que Deus me dê a oportunidade de acompanhar a evolução da Laila, pois ela me dá muito orgulho e alegria. Todos os dias, oro por ela!Meu conselho para esta geração é: obedeçam aos seus pais e aos seus avós e aproveitem o máximo de tempo que vocês têm com eles!"

Laila Tomé

"Minha avó, junto de minha mãe, foi e ainda é essencial na minha vida. Quando minha mãe saía para trabalhar, era ela quem me buscava na escola, nos cursos e acompanhava as minhas atividades. Minha avó me aconselhou a amar a Deus sobre todas as coisas e a ter independência. Sempre me ensinou tarefas com paciência e reforçava o quanto o seu desejo era que eu crescesse uma mulher forte e segura.
Minha vó fez e ainda faz questão de apoiar todas as minhas ideias. Mesmo que pareçam bobas, ela me ouve quando eu preciso compartilhar algo. Se hoje sou instruída e encaminhada, tanto pessoal quanto profissionalmente, é porque minha vó nunca mediu esforços para me dar a melhor educação que poderia!
Muitos dizem que somos parecidas. E eu amo ouvir isso! Parecer com ela é um privilégio!
Todos os dias, levanto com objetivo de fazê-la feliz!’’

Curiosidade - No Brasil, o Dia dos Avós é comemorado a 26 de julho, tendo sido esta data escolhida por referência à comemoração do dia de Santa Ana e São Joaquim, que, segundo a tradição da igreja católica e evangelhos apócrifos seriam pais de Maria e portanto avós de Jesus Cristo.