Bicicleta ficou destruída após atropelamento de grupo de ciclistas na Enseada de BotafogoReprodução/Redes sociais

Rio - Um grupo de cinco ciclistas foi atropelado por um carro desgovernado no início da manhã desta quinta-feira (7), enquanto treinava na altura da Enseada de Botafogo, na Zona Sul. O motorista tentou fugir, mas acabou detido por agentes da Guarda Municipal (GM-Rio) próximo ao Aeroporto Santos Dumont, a cerca de seis quilômetros do local do acidente. O caso é investigado pela 5ª DP (Mem de Sá).
Márcia Ferreira, de 57 anos, ex-triatleta medalhista nos Jogos Pan-Americanos de 1995 - Divulgação/ MFTriathlon
Márcia Ferreira, de 57 anos, ex-triatleta medalhista nos Jogos Pan-Americanos de 1995Divulgação/ MFTriathlon
Equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas por volta das 4h. Entre as vítimas está Márcia Ferreira, de 57 anos, ex-triatleta medalhista nos Jogos Pan-Americanos de 1995. Ela sofreu uma fratura no rádio e precisou de sutura no quadril. As grades que separam a ciclovia da pista de veículos caíram sobre ela.

Também foram atendidos os atletas Rodrigo Paulo, de 50 anos, e Lucas Junior, de 58. As outras duas vítimas recusaram atendimento médico. Apenas Rodrigo e Lucas foram levados para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon. Ambos já receberam alta.

Segundo a Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio de Janeiro (CSC-RJ), o grupo se dirigia à Área de Proteção ao Ciclismo de Competição (APCC) quando acabou atingido pelo veículo, que perdeu o controle na altura da Enseada de Botafogo. A colisão aconteceu a poucos metros da área de treinamento, localizada no Aterro do Flamengo.
Motorista não possui CNH
O motorista prestou depoimento na 5ª DP e vai responder por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante por não possuir carteira de habilitação. Ele pagou fiança e responderá ao inquérito em liberdade.

A assessoria esportiva de triatlo de Márcia Ferreira informou que todos os integrantes da equipe passam bem e que medidas serão tomadas.

Na tarde desta quinta, a CSC-RJ publicou um comunicado pedindo mais conscientização por parte dos motoristas. "Mesmo que houvesse uma fiscalização exemplar dos órgãos públicos de trânsito, mesmo que tivéssemos leis penais e de trânsito mais duras, mesmo que campanhas de conscientização fossem feitas diariamente, de nada adiantaria tudo isso se o comportamento das pessoas no trânsito continuasse o mesmo! A mudança deve começar por você. Seja mais gentil, respeite o próximo e siga as regras do nosso Código de Trânsito Brasileiro. Simples assim", informou a entidade.
Ciclistas pedem mais segurança

O acidente gerou uma onda de indignação entre ciclistas do Rio. O atleta André Coelho afirmou que era apenas uma questão de tempo para que algo assim acontecesse. Segundo ele, não é de hoje que quem pedala na APCC precisa lidar com motociclistas e automóveis invadindo a área de treino sem qualquer restrição.

"Enquanto os cones não forem substituídos por barreiras que realmente impeçam o acesso de qualquer veículo, continuaremos sujeitos a episódios de violência como este. Não podemos esperar que as pessoas mudem. Motoristas embriagados matam pedestres e ciclistas há anos, e nada mudou. Vamos esperar que alguém seja morto como o Nikolay?", questionou, fazendo referência ao caso do ciclista Pedro Nikolay, de 30 anos, atropelado por um ônibus da linha 433 (Vila Isabel x Leblon) na Avenida Vieira Souto, em Ipanema.
O acidente aconteceu em abril de 2013 e motivou a criação da Área de Proteção ao Ciclismo de Competição (APCC), com treinos destinados a ciclistas de alto rendimento, realizados entre 4h e 5h30 da manhã, de segunda a quinta-feira.

Na publicação da CSC-RJ, a nutricionista Cristiane Perrone também denunciou os desrespeitos enfrentados diariamente pelos ciclistas. "Absurdo. São desrespeitos diários por toda a cidade. Tiram ‘finos’, nos xingam, tomamos fechadas… Agressividade gratuita", escreveu.
Márcia Ferreira foi vítima de outro acidente no local
Considerada uma referência no triatlo brasileiro, a tricampeã brasileira e bicampeã sul-americana da modalidade Márcia Ferreira teve a carreira bruscamente interrompida ao ser atropelada na Praia de Botafogo quando treinava ciclismo. O caso aconteceu em 1997, quando ocupava uma excelente colocação no ranking mundial de triatlo.
Após inúmeras cirurgias e tentativas de retorno frustradas, ela resolveu estudar Educação Física e, com a experiência prática e conhecimento teórico, passou a formar novos triatletas através do MFTeam, uma assessoria esportiva especializada em triatlo. Márcia voltou a competir em 2000, já então dando mais ênfase ao treinamento de sua equipe do que ao próprio.