Celulares e cartões apreendidos durante operação contra fraudes bancárias e lavagem de dinheiroReginaldo Pimenta/Agência

Rio - A Polícia Civil realizou, nesta quinta-feira (21), uma operação contra uma quadrilha especializada em fraudes bancárias e lavagem de dinheiro. Ao todo, os agentes cumpriram 40 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de R$ 6 milhões em conta e sequestro de bens vinculados à organização criminosa. 
Dentre o material apreendido estão 31 celulares, um notebook, uma CPU, três máquinas de cartão, 10 folhas de cheques, 36 cartões em nome de terceiros, um revólver calibre 22, drogas e mais de R$ 7 mil em espécie.
Além da capital fluminense e de outros municípios da Região Metropolitana, as medidas também ocorreram no Ceará e em São Paulo, onde uma mulher foi presa em flagrante, por tráfico de drogas, quando a Polícia Civil paulista cumpria mandado de busca ainda no âmbito da operação da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) do Rio de Janeiro.

De acordo com investigações da DRF, em conjunto com o Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), o grupo demonstra elevado grau de sofisticação.  Na Cidade da Polícia, o delegado da DRF, Jefferson Ferreira, frisou que organização atua de forma totalmente estruturada, com divisão de tarefas.

"Ela atua de diversas formas, entre elas a apresentação de documentos falsos junto ao banco, em que eles retiram cheques administrativos e emergenciais e recebem esses valores de empresas vítimas, empresas que existem, e pulverizam esse dinheiro por diversas contas bancárias, cujos os titulares foram alvos de busca e apreensão na data de hoje", explicou.
Ferreira ressaltou também que a quadrilha estaria ligada à facção Comando Vermelho. "A gente tem núcleos de pessoas que cedem contas correntes e nomes em troca de dinheiro, temos o núcleo financeiro que faz parte da pulverização desse dinheiro para poder tirar a origem ilícita, que são as fraudes, e temos os líderes que vão ser identificados agora a partir dessa fase extensiva", contou.
Entenda o esquema

A primeira parte da equipe era responsável pelas fraudes bancárias. Seus integrantes compareciam a agências com documentos falsificados, contendo dados reais de empresas e sócios legítimos, e retiravam talões de cheques emergenciais em nome de firmas lesadas. Os cheques eram posteriormente utilizados em operações fraudulentas, gerando débitos milionários e prejuízo direto aos bancos e às vítimas.

Já outros suspeitos realizavam invasões de dispositivos eletrônicos. O grupo se especializou em invadir celulares e aplicativos bancários, realizando transferências eletrônicas ilícitas para contas controladas pela organização. Alguns desses aparelhos vinham de roubos e furtos e eram levados ao interior de comunidades dominadas pela facção Comando Vermelho para serem desbloqueados.
Dentre as comunidades está a Cidade de Deus, na Zona Oeste. "A gente tem relatos na investigação e elementos que comprovam por meio de depoimentos de vítimas que tiveram o aparelho subtraído, em que a localização do aparelho constava no interior de comunidades, especialmente na Cidade de Deus", relatou o delegado.

Além disso, a quadrilha criava boletos falsos, que levavam as vítimas a acreditarem que estavam pagando obrigações legítimas. No entanto, ao realizarem o pagamento, às pessoas constatavam que os valores eram direcionados a contas vinculadas aos criminosos, ampliando os ganhos ilícitos e alimentando o esquema de lavagem de dinheiro.

As investigações revelaram ainda que os principais integrantes possuem antecedentes criminais, com passagens por estelionato, receptação e diversos crimes patrimoniais, demonstrando que a organização é formada por criminosos já envolvidos em práticas ilícitas e que migraram para métodos mais sofisticados de fraude e lavagem de dinheiro.