A árvore ficava em frente ao número 53 da Rua GrajaúÉrica Martin/Agência O Dia

Rio – A remoção de uma árvore da espécie ficus, na manhã deste domingo (24), revoltou moradores da Rua Grajaú, no bairro de mesmo nome, Zona Norte. Eles reclamam que a Fundação Parques e Jardins (FPJ) não apresentou um laudo oficial apontando um motivo que justificasse a derrubada da vegetação, que fica na esquina com a Rua Gurupi.
 
Ilan Wettreich, presidente da Associação de Moradores do Grajaú (Amagraja), conversou com o DIA e lamentou a retirada da ficus, que, segundo um historiador do bairro, tem 180 anos de existência. Ele reforçou ainda que o descontentamento não se dá pela extração por si só, mas pela falta de explicações: "Não somos contra uma árvore ser derrubada por doenças ou risco de cair. Mas do contrário, precisamos entender o que está acontecendo".
O presidente da associação reiterou o apreço que a vizinhança tem pela ficus: “Não tem como não defender [a árvore] porque é um patrimônio, não só de meio ambiente, mas histórico. Ela é linda, enorme, frondosa. E aí a gente só quer saber o porquê [da retirada]”.
A reportagem também falou com Ana Luiza Prates, diretora da Amagraja, que demonstrou sua insatisfação enquanto tronco e galhos iam ao chão: "Vou tentar falar o mais alto que eu puder porque estou aqui em frente ao assassinato que está sendo feito de uma ficus centenária, uma das árvores mais antigas do Grajaú. E a pessoa que pediu esse assassinato está aqui, mas se recusa a informar os motivos pelos quais a remoção está sendo feita".
A pessoa citada por Ana Luiza se chama Natasha d'Uva Solle Caldeira. Ela consta no documento de autorização para a derrubada da vegetação, ao qual o DIA teve acesso, como a solicitante do serviço. E de acordo com uma placa instalada na fachada do prédio, anunciando que ali funcionará futuramente uma unidade de creche e ensino pré-escolar de três pavimentos, ela é a proprietária do imóvel, número 53 da Rua Grajaú, onde estava a vegetação. A reportagem tenta contato com Natasha. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.
O que diz o laudo
À reportagem de O DIA, Ricardo Reis Pinheiro, o Ricardinho PT, presidente da FPJ, disse que houve um primeiro pedido para a retirada da ficus em 2024, mas as equipes não conseguiram adentrar ao imóvel e, por isso, fizeram apenas a poda.
Em maio passado, com a vistoria interna, ficou constatado que as raízes estavam comprometendo a cisterna da casa e havia o risco de os galhos afetarem o telhado. O imóvel, a propósito, é tombado pelo Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). “Sobre estas condições foi dada a autorização de supressão”, acrescentou Ricardinho.
Sobre o laudo não ter sido apresentado aos moradores, que consequentemente ficaram sem saber o real motivo da remoção, Ricardo Pinheiro afirmou que a FPJ está disponível para sanar dúvidas: "Sempre dialogamos com a sociedade, privilegiando as associações de bairro. Mas nem sempre temos acesso a polêmicas. Quando temos, fazemos este diálogo. Estamos abertos a recebê-los".