A PrEP é uma das estratégias de prevenção contra o vírus, a medicação é fornecida pelo SUSAndré Nogueira / Divulgação
A médica infectologista Socorro Corrêa, que atua há mais de 30 anos no enfrentamento do HIV, explicou por que, mesmo com os avanços no tratamento e na prevenção, novos casos ainda continuam surgindo.
A especialista disse que a pessoa que contrai o vírus, pode não apresentar sintomas de início, atrasando o início do tratamento.
"Logo que você contrai o vírus tem uma janela imunológica que varia de 30 dias até nove meses. Ou seja, os sintomas não são imediatos. Algumas pessoas têm um sintoma como se fosse uma virose, mas outras passam despercebido. As manifestações aparecem quando o vírus está avançado e a imunidade está baixa, que é quando acontece a conversão para a soropositividade. De início, é uma doença bastante silenciosa".
No levantamento do EpiRio, a média da faixa etária mais atingida gira em torno dos 32 anos e o sexo masculino é o mais acometido pelo vírus, com 72,53%. Pessoas pardas também são as que mais são diagnosticadas com HIV, registrando cerca de 45,33 % casos, de acordo com a pesquisa.
Segundo a médica que atua na rede privada, a faixa etária dos seus pacientes é muito variável. "Tenho encontrado pacientes jovens de 20 a 30 anos como pessoas mais maduras, até 60 anos. Há uma predominância do público masculino, mas o sexo feminino vem crescendo também", relata.
Socorro conta que ainda hoje há muito medo e preconceito por parte da população em se testar. "É uma resistência que precisa ser vencida. Por exemplo, quem faz o tratamento adequado, fica com carga viral indetectável e já não transmite mais por via sexual", disse.
Serviços à população
A Secretária Municipal de Saúde (SMS) informou que vem oferecendo assistência médica para a população com diagnóstico, tratamento e prevenção de novas infecções.
A PrEP (profilaxia de pré-exposição), por exemplo, é uma das estratégias de prevenção combinada contra o vírus, sendo disponibilizada para o público em geral em todas as 239 unidades de clínicas da família e centros municipais de saúde.
Segundo o órgão, a rede municipal do Rio também oferece a profilaxia pós-exposição (PEP), que consiste no uso de antirretrovirais por 28 dias para reduzir o risco de infecção após uma exposição ao vírus, seja por relações sexuais desprotegidas, violência sexual ou acidentes com material biológico. A pessoa deve se medicar com a PEP no máximo até 72 horas após o contato com HIV.
Ainda de acordo com a SMS, as unidades também disponibilizam testes rápidos, preservativos internos ou externos e gel lubrificante, entre outras ofertas que ajudam na prevenção do vírus.
O HIV é um vírus pertencente ao grupo dos retrovírus (subfamília Lentiviridae) que atinge diretamente o sistema imunológico. Uma pessoa pode contrair o HIV e permanecer sem sintomas por anos, sem necessariamente desenvolver a doença.
A Aids, por sua vez, é a síndrome provocada pela infecção prolongada pelo HIV. Ela se manifesta quando o sistema de defesa do organismo já está bastante enfraquecido, dando origem a um conjunto de sinais e sintomas que revelam a falência imunológica.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.