Alan Rodrigues e sua mãe Ana Carla Rodrigues Reprodução / Arquivo Pessoal
Publicado 29/09/2025 12:19
Rio - O taxista Eduardo Henry Nogueira Gripp, acusado de homicídio qualificado após atropelar e matar Alan Rodrigues Sales, foi ouvido em uma audiência de instrução, na tarde desta segunda-feira (29), na 1ª Vara Criminal da Capital. Gripp dirigia o táxi que atingiu o jovem de 22 anos em 31 de maio de 2025 em Vila Isabel, na Zona Norte. O motorista fugiu sem prestar socorros. 
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Na audiência, que teve início à 13h40, três testemunhas de acusação foram ouvidas sem a presença de Eduardo por medo de represália. Cinco testemunhas, de ambos os lados, faltaram e serão intimadas a comparecer na próxima audiência, marcada para o dia 18 de maio de 2026, às 18h. 
Segundo testemunhas, Alan estava trabalhando como entregador quando, após uma discussão, foi perseguido pelo taxista e acabou sendo atropelado. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado para a Rua Teodoro da Silva, mas encontrou o motoboy sem vida.

Em depoimento à Polícia Civil, Eduardo Gripp afirmou que naquela noite, Alan esbarrou com a moto no retrovisor do seu carro, causando um forte impacto. Ele então, disse que passou a seguir o jovem, piscando o alerta do carro, na tentativa de tentar parar e resolver o prejuízo. O taxista contou que o rapaz teria diminuído a velocidade antes da Rua Emília Sampaio, mas tornou a acelerar logo em seguida, na Rua Teodoro da Silva, cruzando a pista para a direita.

Eduardo disse que, ao olhar para o retrovisor da direita, a fim de ver se poderia virar na pista sem colidir com outro veículo, Alan diminuiu a velocidade da moto muito rápido, e que ao olhar para a frente novamente, ele tentou frear mas acabou atingindo o veículo do rapaz.
O motorista afirmou que, por reflexo, virou o volante para a esquerda, e que não viu o que o rapaz havia caído no chão. Ainda em depoimento, o acusado contou que olhou o retrovisor e viu a moto de Alan no chão, que pensou em voltar e ver o que aconteceu, mas que ficou muito "nervoso" com a situação. Ele declarou que temeu por sua integridade física, visto que sabia de 'linchamentos' após acidentes com motociclistas. 

Imagens de dentro do táxi

Imagens gravadas de dentro do táxi de Gripp mostram que o motoboy sinalizou que iria parar a moto antes de ser atingido pelo motorista. O vídeo mostra o momento em que Alan sinaliza para Eduardo que iria encostar a moto na direita. O taxista então acelera e atinge a vítima. Foi então que o motoboy caiu e atingiu um poste, morrendo no local. As imagens ainda mostram o Gripp fugindo do local.

Homenagem ao jovem
Jovem e cheio de sonhos, a família conta que Alan era um rapaz simples e querido por todos. Ele morava com os pais e dois irmãos em Vila Isabel, sua renda vinha do trabalho de motoboy, área em que atuava já há cinco anos.
No dia 16 de junho, amigos do rapaz fizeram uma homenagem para ele no local onde ele faleceu. Um muro foi pintado com o rosto de Alan na Rua Teodoro da Silva. O movimento foi organizado pelos companheiros de profissão do jovem.
"Eu quero que a justiça seja feita. Eu sei que não vai trazer meu filho de volta, mas ele [taxista] tem que pagar pelo que fez. Ele podia ter parado, podia ter ido pra uma delegacia e comunicado do acidente, mas ele não fez isso. Me dói saber que meu filho não está mais aqui e a pessoa que causou tudo isso está por aí livre", disse a mãe do rapaz, Ana Carla Rodrigues, na época do crime ao DIA.
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