A exposição acontece no Instituto Pretos NovosDivulgação / Orestes Locatel

A maior comunidade quilombola do Brasil é o tema da exposição 'Kalunga', com fotografias de Gustavo Minas e Orestes Locatel, no Museu dos Pretos Novos, no Rio de janeiro. A abertura da mostra para o público será no dia 14 de outubro, a partir das 10 horas e a cerimônia oficial de abertura na sexta-feira (17)  a partir das 19h. Com curadoria dos fotógrafos Gabriel Lordello e Tadeu Bianconi, a exposição propõe o diálogo entre o trabalho desses dois fotógrafos brasileiros, de diferentes gerações, que se voltaram para a comunidade dos Kalungas, no interior de Goiás.Locatel iniciou sua documentação no ano 2000 e já expôs seu trabalho na Bienal de Fotografia de Liège, na Bélgica; e a exposição 'Black Is Beautiful', realizada durante a Bienal de Fotografia de Amsterdã, onde representou o Brasil ao lado do consagrado fotógrafo Walter Firmo. Também realizaram outras três mostras individuais em galerias de arte de Bruxelas, na Bélgica, em Sófia e no Museu de Varna, na Bulgária.

O trabalho de Gustavo Minas na região é recente. Por meio do amigo Weverson Paulino, que é da região quilombola, realizou duas viagens, uma em 2023 e outra em 2024, durante a Romaria de Nossa Senhora da Abadia, mais conhecida como a Festa do Império Kalunga. Gustavo, que é mundialmente conhecido pelo trabalho de fotografia de rua, foi a Vitória para realizar um Workshop na Mosaico Fotogaleria, e vai expor seu trabalho dos Kalungas pela primeira vez.

Dois olhares sobre os Kalungas
"Já conhecíamos essas fotografias do Orestes Locatel e sabíamos que ele nunca foi apresentado aqui no Brasil. Com a vinda do Gustavo Minas a Vitória, e sabemos do trabalho recente dele na mesma região, propusemos uma exposição que reunisse essas duas visões bem específicas dessa comunidade tão distante para a maioria das pessoas. Criamos uma coleção inédita e belíssima que vale a pena conhecer", afirma Gabriel Lordello, curador da mostra.

A exposição, que é gratuita e aberta ao público em geral, contará com 29 fotografias em pequeno formato, sendo as coloridas de autoria de Gustavo Minas e as em preto e branco, de Orestes Locatel.

"Ao analisar os dois trabalhos é interessante ver como cada um desenvolve uma narrativa própria. Locatel, com um estilo mais clássico e documental, produzido as fotos em preto e branco, utilizando a fotografia analógica como suporte. Já Gustavo, apresenta uma proposta mais contemporânea e ousada, com o cor e o espontâneo alicerçando suas composições. Pensamos nesse diálogo para destacar o trabalho autoral na fotografia e, não menos importante, darmos luz para esta comunidade quilombola histórica e que precisa ser reconhecida, valorizada e preservada", diz Tadeu Bianconi.
A exposição fica em cartaz no Museu dos Pretos Novos até o dia 08 de novembro.

Sobre os fotógrafos:
Gustavo Minas nasceu em Cássia, Minas Gerais, e atualmente mora em Brasília. Estudou fotografia com Carlos Moreira, Gueorgui Pinkhassov e Nikos Economopoulos. Neste ano de 2025 venceu o Pictures of the Year Latin America (POY Latan) na categoria ensaio com este mesmo trabalho aqui apresentado, 'Festa do Império Kalunga'. Em 2017, sua série "Rodoviária" venceu o Pictures of the Year Latin America, na categoria "O Futuro das Cidades". Em 2023, seu projeto "Cidades Líquidas" foi um dos finalistas do Prêmio Leica Oskar Barnack. Tem dois livros publicados: "Maximum Shadow, Minimal Light" (2019) e "Liquid Cities" (2024).

Orestes Locatel, carioca, começou a fotografar aos sete anos de idade. Formado em Jornalismo pela UFES, foi contratado pela Bloch Editores, em 1995, onde integrou a equipe de fotógrafos da revista Manchete, uma das publicações tidas como referência do fotojornalismo brasileiro. Nos anos 2000, abriu um estúdio de fotografia publicitária e atendeu as principais empresas e agências capixabas. Retornou ao Rio de Janeiro em 2005, voltando a atuar com fotografia editorial para as mais importantes publicações do Brasil. Já participou de exposições no Brasil e no exterior. Hoje, se dedica aos seus projetos pessoais e atua como fotógrafo freelancer.

Comunidade Kalunga
Com 262 mil hectares, o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga é o maior território quilombola do Brasil. Em 2021, o quilombo foi reconhecido pela ONU como o primeiro território no Brasil conservado pela comunidade, com 83% de área com vegetação intocada. A região abrange três municípios e abriga 56 comunidades, com mais de 8 mil habitantes. Sua população se fixou a partir do século XVIII, fugida da escravidão nas minas de ouro na região.
A economia do quilombo baseia-se principalmente na agricultura de subsistência, com o cultivo de roças familiares, além do ecoturismo, extrativismo e pecuária. Devido às dificuldades de acesso à região, sua população conseguiu se isolar por muito tempo, desenvolvendo sua própria autonomia e subsistência. Até 1982 eram completamente isolados, com raros contatos externos. Com isso, eles também mantêm suas tradições culturais, como as festas que reúnem comunidades de todo o território e remetem ao Brasil império.

Serviço:
Exposição fotográfica 'Kalunga', de Gustavo Minas e Orestes Locatel
Abertura para visitação: 14 de outubro a partir das 10h
Cerimônia de Abertura: 17 de outubro, às 19 horas.
Local: Museu dos Pretos Novos, R. Pedro Ernesto, 32-34 - Gamboa, Rio de Janeiro – RJ
Contato: (021) 96465-9983
Visitas: Terça a sexta - 10h às 16h/Sábado 10h às 13h