Um grupo de orcas foi avistado nas águas da Barra da Tijuca neste sábado (18)Reprodução / Redes Sociais / Tato Slerca

Rio - Um grupo de orcas, incluindo um filhote recém-nascido, foi flagrado nas águas da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. O registro foi feito neste sábado (18) pelo oceanógrafo Tato Slerca, que estava com a família e amigos quando avistou os animais.
O vídeo, que circula nas redes sociais, mostra cinco a seis orcas nadando próximas à superfície da água e passando bem perto do barco, parecendo "interagir" com ele. O Dia conversou com Slerca que afirma que o grupo de animais era formado apenas por fêmeas.
"Nos identificamos que eram fêmeas, pois elas são menores e têm a barbatana dorsal mais curta e curvada, enquanto os machos são bem maiores, com uma barbatana dorsal alta e vertical — uma diferença bastante visível", explica.
O oceanógrafo ressalta que é comum que as orcas vivam em grupos de apenas fêmeas e filhotes, sem a presença do macho.
"As orcas vivem em grupos matriarcais, liderados pela fêmea mais velha. Quando ela morre, a mais velha seguinte assume a liderança. As orcas fêmeas vivem mais, adquirem mais experiência, e são dominantes nos seus grupos. É comum ver grupos formados apenas por elas e filhotes, já que os machos costumam se afastar para socializar e reproduzir com fêmeas de outros grupos — nunca com as do próprio grupo", disse Slerca.
Apesar de as orcas estarem em todos os oceanos do mundo, é extremamente raro encontrá-las no Rio de Janeiro. Avistamentos tão próximos de áreas urbanas são incomuns e, por isso, chamam tanta atenção. Em outras oportunidades, elas já foram vistas em Arraial do Cabo e Ilha Grande.
Os animais são muito mais comuns no Pacífico Norte (Alasca, Canadá, Noruega, Islândia) e na Antártica, onde há grandes populações e elas podem ser observadas com frequência.
Slerca explica que as orcas não oferecem riscos aos seres humanos: "Elas são extremamente inteligentes e curiosas, e não há registros confiáveis de ataques a humanos na natureza. Os poucos incidentes registrados ocorreram em cativeiro, onde vivem isoladas e em espaços muito pequenos. Quanto aos casos recentes de orcas interagindo com veleiros na Espanha e em Portugal, os especialistas acreditam que se trata de comportamento exploratório, não agressivo."
As orcas são os maiores predadores do oceano e estão no topo da cadeia alimentar, sem predadores naturais. Elas possuem uma dieta variada, que inclui peixes, lulas e mamíferos marinhos.
* Reportagem do estagiário João Santos, sob supervisão de Iuri Corsini