’A gente pediu tanto para ela não voltar, porque ele ia fazer de novo’, diz filha de Leone, Verônica RochaÉrica Martin/Agência O Dia
'Nunca mais vou ver minha mãe', lamenta filho de idosa morta pelo marido no Chapadão
Leone Maria Rocha Souza, 69, completaria 70 anos nesta sexta-feira. Corpo da vítima é velado na Baixada Fluminense
Rio - Familiares e amigos se preparavam para comemorar os 70 anos de Leone Maria Rocha Souza, nesta sexta-feira (24). A celebração, no entanto, acabou sendo impedida pela violência, quando idosa foi morta a facadas pelo próprio marido. O crime aconteceu na última terça-feira (21), na casa em que o casal vivia, próxima ao Campo do Brasileirinho, no Complexo do Chapadão, Zona Norte. Wilson Oliveira Souza, 73, está preso sob custódia em um hospital e o corpo da vítima é velado nesta quinta-feira (23).
De acordo com um dos filhos, Leone Maria e Wilson eram casados há 17 anos e estavam sozinhos quando o crime aconteceu. Um irmão do suspeito foi até o local, também sofreu ameaças e ligou para Anderson Rocha, 45, que estava no trabalho. Quando chegou à casa, a mãe já estava sem vida. "Quando cheguei lá, já era tarde demais", lamentou o filho da idosa. Equipes da Polícia Militar estiveram na residência, onde confirmaram a morte da vítima e encontraram o homem também ferido, após provocar lesões em si mesmo.
Policiais militares do 41º BPM (Irajá) que estiveram no local prenderam Wilson em flagrante e o encaminharam para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, por conta dos ferimentos. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS), nesta quinta-feira (23), o quadro de saúde dele é considerado grave. O homem segue preso sob custódia na unidade e o crime é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Ainda segundo Anderson, a vítima já havia sido agredida por Wilson, mas reatou relacionamento e não voltou a relatar episódios de violência. "Ele agrediu minha mãe em 2023 e eu fui buscar ela na casa do irmão dele, que ela tinha conseguido fugir. Trouxe ela para morar comigo, mas ela saiu daqui oito meses depois, contra nossa vontade, para voltar a morar com ele", disse Anderson. "Ele era aposentado, não usava bebidas, nem drogas. Ela não falou mais sobre isso (agressões), para a gente estava tudo bem. Até fomos com eles recentemente num shopping, porque estava com saudades e ela sempre o incluía".
Mãe de quatro filhos e avó de nove netos, Leone é descrita como mulher exemplar e que gostava de agradar a todos. A família preparava uma festa para os 70 anos da idosa, que faria aniversário amanhã. "Minha mãe era uma mulher exemplar. Era uma mãe que fazia tudo para mim. Gostava de agradar todos a sua volta, não sabia dizer não para ninguém, e sempre com um sorriso no rosto. Uma perda irreparável. Todos que tiveram oportunidade de conviver com ela, com certeza vão concordar com o que estou dizendo".
O filho Anderson pediu justiça pela morte da mãe. "Meu sentimento é de dor e sofrimento. Eu nunca mais vou ver minha mãe. Então, por toda dor causada à ela, eu quero justiça. Que as autoridades o prendam definitivamente e ele pague por ter matado minha mãe!", declarou Anderson.
O corpo da vítima é velado desde as 10h desta quinta-feira, no Cemitério Jardim de Mesquita, na Baixada Fluminense, e o sepultamento será realizado às 14h. Muito emocionada, Verônica Rocha, 47, precisou ser consolada por parentes e amigos. Uma das filhas da idosa, ela diz não entender o que motivou o crime, já que a mãe nunca mais havia falado sobre agressões do marido e que Wilson demonstrava carinho pela companheira.
"Ele era até carinhoso, ela nunca se queixou, mas há um ano e pouco atrás, já havia acontecido uma primeira agressão. A gente pediu tanto para ela não voltar, porque ele ia fazer de novo, quem faz uma vez, faz sempre", desabafou Verônica. "Ele nunca apresentou nada, não sabemos (o que motivou), porque minha mãe tinha boca e não falava, não temos nenhuma desconfiança. A gente convivia normal com ele, até o primeiro acontecido. Ele me pediu perdão, meu coração não perdoou, mas aceitei a situação porque precisava ver minha mãe".
A filha disse acreditar que a mãe pode não ter relatado outras agressões, por medo dele e dos filhos a obrigaram a se separar novamente. Uma outra familiar, que não quis se identificar, também falou de Leone Maria como uma pessoa correta e de princípios, mas quieta. "A gente lamenta muito tudo o que ocorreu. Era muito carinhosa, atenciosa, mansa, não reagia a nada, tudo para ela estava bom, se contentava com tudo (...) Ela retornou (ao casamento), acreditando nas palavras de mudança do marido dela. A gente espera que a justiça seja feita, que ele pague pelo crime que cometeu".
*Colaborou Érica Martin













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