Moysés Henrique já responde a Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e duas sindicâncias internasReprodução
Operação mira ex-subsecretário da Seap por dossiê falso contra autoridades
Documentos produzidos por Moysés Henrique Marques atribuíam grampos ilegais contra o Executivo ao Governo do Estado
Rio - O ex-subsecretário adjunto da Secretária de Estado de Administração Penitenciária (Seap) foi alvo de uma operação, nesta quinta-feira (23), por ter produzido falsos dossiês contra autoridades. A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e policiais penais cumpriram um mandado de busca e apreensão na casa de Moysés Henrique Marques, no Rio Comprido, Região Central.
De acordo com as investigações, os dossiês foram produzidos e disseminados para atribuir falsamente ao Governo do Estado a prática de grampos ilegais - a chamada "arapongagem" - contra deputados estaduais desembargadores e outras autoridades do Executivo. Os documentos atribuiam a prática à Subsecretaria de Inteligência da Seap, para tentar gerar conflito entre o governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Segundo a Polícia Civil, além de imputações falsas de crimes, como quebra indevida de sigilo, infrações em processos licitatórios e corrupção, Moysés Henrique ainda formalizou ofensas de cunho pessoal contra as vítimas. O policial penal é suspeito dos crimes de injúria, difamação e obstrução de Justiça e, atualmente, responde a Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e duas sindicâncias internas, sendo a mais recente por tentativa de coação a servidores, para obter documentos e registros internos para os dossiês.
Na casa do agente, policiais civis apreenderam diversos aparelhos eletrônicos que serão periciados e devem auxiliar nas investigações, que continuam para identificar outros possíveis envolvidos no crime. Moysés Henrique, que chegou a ocupar o cargo de subsecretário adjunto da secretaria em 2020, também é suspeito de manter vínculos com um grupo interessado na exploração irregular de cantinas em presídios. A atividade foi encerrada pela atual gestão da Seap, em 2024.
O ex-subsecretário já havia sido alvo da Operação Hiperfagia, do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio (Gaeco/MPRJ), que desvendou fraudes em licitações e superfaturamento de contratos de alimentação no sistema prisional, estimado em R$ 350 milhões. Em nota, a Seap afirmou que "repudia veementemente qualquer tentativa de desestabilização institucional ou manipulação de informações com o objetivo de atender a interesses particulares e escusos".
A pasta ainda reafirmou o "compromisso com a legalidade, a ética e a transparência na gestão do sistema prisional fluminense". A reportagem do DIA tenta contato com a defesa de Moysés Henrique Marques. O espaço está aberto para manifestação.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.