Apresentações culturais movimentaram o Centro do RioReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Memória e futuro: cariocas refletem importância do Dia da Consciência Negra em evento no Centro
Monumento a Zumbi dos Palmares recebeu apresentações culturais e gastronomia
Rio - Centenas de pessoas foram ao Monumento a Zumbi, no Centro, nesta quinta-feira (20), para exaltar o Dia da Consciência Negra. O evento teve direito a roda de samba, bazar, gastronomia e discursos destacando representatividade da celebração. A O DIA, os cariocas ressaltaram a importância da data como marco de memória, identidade e resistência, pontuando os desafios que ainda persistem no país.
Rosilene Borges, 58 anos, é dona de uma marca de moda praia especializada em tecidos afro importados da Angola. Para ela, a data é um símbolo da luta histórica dos seus ancestrais, responsáveis por abrir caminhos que a possibilitaram mais oportunidades. A empreendedora ainda reforçou a necessidade de união da sociedade para fortalecer a luta contra o racismo.
"Esse dia representa um dia de luta, não podemos esquecer a nossa ancestralidade. Me identifico como uma mulher afro-brasileira, quilombola, formada em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Não posso esquecer nunca que meus pais são duas pessoas que lutaram para eu estar aqui e não tiveram a oportunidade. Mesmo assim, eles me conduziram até chegar aqui. A sociedade em geral, negros e não negros, precisa resgatar nossos valores enquanto brasileiros. Somos únicos, somos uma nação e juntos somos mais fortes. Não podemos olhar só para nosso umbigo", defendeu Rosilene.
A pedagoga Josina Maria da Cunha, 80, atuou por mais de duas décadas como professora em escolas municipais e estaduais. Refletindo sobra a importância do Dia da Consciência Negra, ela criticou ações que terminam em mortes na comunidades e pediu mais respeito para as famílias que moram nessas áreas.
"O dia representa libertação, o louro das nossas lutas cotidianas, a luta de Zumbi, a luta de Aqualtune, a luta de Dandara e de todos outros heróis negros da nossa comunidade. Minha mensagem é para que a sociedade brasileira pare de nos matar, que não entrem nas comunidades para matar sem olhar a quem. Todos têm o direito de serem presos se tiverem cometido algum delito. Que a sociedade brasileira respeite as comunidades, as famílias. Nós estamos vivendo um luto muito grande. Hoje, peço que os ancestrais olhem por nós", destacou.
Idealizado pelo antropólogo Darcy Ribeiro, o Monumento a Zumbi foi inaugurado em novembro de 1986 e, há 30 anos, recebe uma lavagem tradicional no dia 20 do mesmo mês. Feriado nacional desde 2024, a data faz referência ao dia da morte do líder do Quilombo dos Palmares, em 1695. A O DIA, a artesã Ana Barboza, 59, fez questão de ressaltar Zumbi como símbolo da luta histórica da população negra.
"Esse dia representa liberdade e orgulho pela comemoração do Zumbi dos Palmares, muita luta contra pessoas racistas que ainda existem. Por aqui, estão falando muito daquela chacina, aquele bote policial que teve muita morte. Precisamos saber que a vida humana não importa a cor, que o sangue é vermelho de todo mundo. A sociedade tem que ter mais consciência, tratar as pessoas iguais, ninguém nesse mundo é melhor do que ninguém", reforçou.
A mensagem de igualdade foi reiterada pelo artesão Maicon Furtado, 39, que ainda destacou a importância da empatia. "Reparação histórica, reconhecimento e respeito ao semelhante, ao ser humano e ao povo negro. A mensagem é sobre a consciência de empatia. Somos seres humanos, somos iguais independente de cor de pele, e orientação sexual, de classe econômica… Quando a gente tem respeito, a gente consegue ter empatia e mais proximidade do que é ser de fato humano", ressaltou.
* Reportagem do estagiário Rodrigo Bresani, sob supervisão de Larissa Amaral.






















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