Corpos de servidoras executadas no Cefet-RJ foram para o Instituto Médico Legal (IML) no CentroSaulo Junior/ Agência O Dia
"Eu encaminhei algumas denúncias para os gestores, direção-geral e para o Ministério da Justiça avisando sobre situações de possíveis atiradores na escola. O Ministério da Justiça chegou a me ligar, mas não houve continuidade para consolidar estratégias de prevenção, tanto no Cefet quanto em outras escolas", diz a servidora, que reforçou que o diretor-geral da unidade tinha conhecimento sobre a ameaça.
Há 17 anos na instituição, a funcionária conta que, nas últimas semanas, mudou completamente sua rotina, já prevendo um possível atentado. "Eu evitava ficar no meu computador. Ele já tinha esse plano e podia entrar ali a qualquer momento. Ontem era para eu ficar até 17h, mas consegui sair meia hora antes do que aconteceu. Eu e outra colega também éramos alvos diretos dele", diz.
Há cerca de quatro anos, a servidora vivenciou a primeira situação de alerta. "Eu estava sozinha na sala e ele entrou contando que o irmão dele se matou com um tiro na cabeça e que ele iria fazer o mesmo. Nesse dia, eu gelei. E o meu temor era esse. Temos pessoas com o mesmo perfil se encaminhando para fazer a mesma coisa. A escola deveria ter levado a sério as denúncias que foram feitas e passado a agir", alertou.
Atirador discordava do setor
A servidora conta que João Antônio Miranda passou a ter desavenças com Allane, a quem era subordinado, e com Layse por questões administrativas. "A Allane era chefe do setor e, quando ele ficou mais rígido, ela, Layse e outros colegas denunciamos o comportamento dele. Ele dizia que o que fazíamos não era suficiente, que não era para ser daquele jeito, que iria abrir processo, o que ele fez em outros setores da administração", afirma.
Após problemas com ela, João Antônio foi transferido para outra unidade. Inconformado, recorreu ao Ministério Público Federal (MPF) para tentar retornar ao setor de origem. Na mesma época, também teve problemas no novo posto de trabalho, o que levou a um afastamento cautelar. Entretanto, um laudo psiquiátrico atestou que ele estava apto a regressar às atividades profissionais, novamente na unidade Maracanã.
A colega de trabalho de Allane e Layse lembra que ambas eram pessoas flexíveis e humanas, sempre dispostas a ajudar alunos e professores. "Elas eram flexíveis, humanas, pessoas com quem todos podiam contar, tanto estudantes quanto servidores. A Layse tinha essa postura de acreditar que, se você for bom e gentil com todo mundo, o mundo vai te devolver só gentileza. Mas a realidade não é assim, e a vida dela foi tirada. Eu trabalhava diretamente com elas e o que posso dizer é que o mundo perdeu duas pessoas maravilhosas", lamentou.
Na nota publicada pelo Cefet-RJ na noite de sexta-feira (28), a instituição não mencionou o registro de denúncias envolvendo João ou outros funcionários. No texto, o órgão lamentou "profundamente essa tragédia, que chocou a comunidade acadêmica" e decretou luto oficial por cinco dias na instituição, a partir de segunda-feira (1º).





Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.