Adilson Pires, secretário municipal de Habitação do RioDivulgação
ADILSON PIRES - O governo está investindo pesado no Alemão. É um investimento pra transformar o dia a dia das pessoas, dar qualidade de vida. São R$ 210 milhões para arrumar a casa. Vamos levar saneamento, asfalto, iluminação e moradia nova. É um pacote de dignidade para quase 60 mil pessoas que merecem um lugar melhor para viver. Conheço de perto e na pele essa realidade. Vivi uma vida inteira numa favela, a Vila Aliança, em Bangu. A Vila Aliança foi formada por moradores reassentados, que chegaram das Favelas do Esqueleto, do Morro do Pinto, do Morro do Pasmado e parte da Maré. Meu pai trabalhou na construção da Vila Aliança. No final da obra, sortearam casas para os operários. É meu pai foi um dos contemplados.
Na prática, o que vai mudar no dia a dia das pessoas?
O PAC anterior deixou o teleférico parado. O que será diferente desta vez?
O erro do passado foi fazer a obra e virar as costas, era uma obra do Governo do Estado. Como sociedade, aprendemos a lição. Desta vez, o projeto foi feito junto com os moradores. Ouvimos mais de 20 associações da região para saber o que era prioridade. Não é um projeto de cima para baixo. E nosso compromisso é: inaugurou, tem que cuidar. A prefeitura vai permanecer no território, garantindo que tudo funcione. O tempo de abandonar obra acabou.
Essas obras podem mesmo diminuir a violência? Isso já funcionou em algum lugar?
Com certeza! E não estamos inventando a roda. Veja o caso de Medellín, na Colômbia. Era uma das cidades mais perigosas do mundo, dominada pelo tráfico. A prefeitura de lá fez exatamente isso: entrou nos bairros pobres com obras de primeiro mundo, teleférico e bibliotecas. A violência despencou e a cidade virou ponto turístico. Onde o Estado entra com dignidade, o crime perde espaço.
E aqui no Brasil, temos algum exemplo parecido?
Temos sim, no Espírito Santo. Lá, o governo uniu a polícia inteligente com um banho de loja social nos bairros mais violentos: escolas de tempo integral, esporte e cursos para a garotada. O resultado foi o menor número de assassinatos da história do estado. A lição é a mesma: segurança se faz com polícia, mas também com oportunidade, com trabalho social. Isso não é discurso, é fato e já deu certo em muitas regiões. É essa a receita que estamos trazendo para o Alemão.
Além das obras, haverá espaços de lazer e cultura?
Sim, e isso é fundamental. Não é só cimento e tijolo. Como dizem os Titãs, a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Todos têm o direito a mais do que sobreviver. Vamos criar o Parque Everest, uma grande área verde para o lazer das famílias, e também um novo espaço cultural. Queremos que o Alemão respire esporte, música e arte. Um jovem com um instrumento na mão ou uma bola no pé está construindo um futuro diferente para ele e para toda a comunidade.
Quando os moradores começarão a ver as máquinas trabalhando?
A previsão é que as obras comecem em no máximo 6 meses. Sabemos que a ansiedade é grande, mas estamos fazendo tudo com muito planejamento para que, desta vez, o projeto comece, termine e, o mais importante, dure.
Que recado final o senhor deixa para a população do Alemão?
Meu recado é direto: eu sei que vocês estão cansados de promessas. A desconfiança é justa. O teleférico parado é a prova disso. Por isso, não peço confiança, peço que nos cobrem. Cobrem cada prazo, cada obra. Nosso compromisso não é com discursos, é com o barulho das máquinas trabalhando e com a entrega de um bairro mais digno. A gente só vai reconquistar o respeito de vocês com trabalho, e é isso que vamos fazer.

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