Publicado 12/03/2026 09:12
Rio - Dados do Instituto Fogo Cruzado apontam que o mês de fevereiro terminou com cinco chacinas no Grande Rio, o equivalente a uma a cada cinco dias, deixando 21 pessoas mortas a tiros. No mesmo período de 2025, houve quatro casos, com 13 vítimas.
PublicidadeNo dia 8 de fevereiro, por exemplo, cinco homens morreram em um ataque em um bar em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Entre eles estava Júlio César Ornelas de Lemos, de 53 anos, filho de José de Lemos, diretor-presidente do jornal "Hora H", da Baixada Fluminense. Na ocasião, duas mulheres que passavam pelo local também foram atingidas por balas perdidas, uma delas não resistiu.
O Instituto contabiliza como chacinas situações em que três ou mais civis são mortos em um mesmo evento, independente da motivação dos disparos, que pode incluir ataques armados, disputas entre grupos criminosos ou ações policiais.
Entre os casos, dois ocorreram durante ações ou operações policiais. Além desses episódios, confrontos entre facções e milícias também marcaram o mês. Ao todo, foram 14 tiroteios ligados a disputas entre esses grupos, que deixaram 30 pessoas baleadas, das quais 19 morreram e 11 ficaram feridas.
O número de confrontos desse tipo foi 42% menor que o registrado em fevereiro de 2025, quando 24 ocorrências foram mapeadas. Apesar da redução, o relatório mensal do Fogo Cruzado mostrou que a violência se mostrou mais letal: no mesmo período do ano passado, seis pessoas haviam sido baleadas nesses episódios, o que representa um aumento de 400% no número de vítimas.
"O aumento das chacinas e de pessoas baleadas em disputas entre grupos armados mostra que a violência no Rio de Janeiro está se tornando mais letal e mais concentrada. Quando há menos tiroteios, mas mais vítimas, significa que os confrontos estão mais intensos. Isso reforça a necessidade de políticas públicas que vão além da resposta policial imediata, com investimento em inteligência, presença do Estado nos territórios e proteção efetiva à população civil que vive no meio desses conflitos", analisa Carlos Nhanga, coordenador regional do instituto.
Mais de 130 baleados
Ao todo, 132 pessoas acabaram baleadas em fevereiro na Região Metropolitana. Destas, 75 morreram e 57 ficaram feridas. O número de mortos aumentou 32%, enquanto o de feridos caiu 12% em comparação com o mesmo período de 2025, quando 122 pessoas foram baleadas, das quais 57 morreram e 65 ficaram feridas.
Entre as vítimas deste ano também estão duas crianças, dois adolescentes e quatro idosos. Entre elas está uma menina de 9 anos, que foi baleada durante um tiroteio no Catumbi, na Região Central do Rio, no dia 19 de fevereiro. A menina estava em uma praça quando acabou atingida durante um confronto provocado por uma disputa entre grupos armados na região. Ela ficou internada por quase 15 dias e recebeu alta médica no último dia 2 de março.
Mais de 30 tiroteios por semana
Ao longo do mês, foram registrados 143 tiroteios ou disparos de arma de fogo na Região Metropolitana, uma média de 35 por semana.
As ações e operações policiais estiveram presentes em 43% desses casos, totalizando 62 ocorrências. Apesar da presença expressiva da polícia nesses episódios, o número representa uma queda de 32% em relação a mesma ocasião do ano passado, quando houve 187 tiroteios, dos quais 49% (91) ocorreram nessas circunstâncias.
Além disso, quase metade das pessoas baleadas no mês, 59 vítimas, ou 45% do total, foi atingida durante ações e operações policiais. Destas, 28 morreram e 31 ficaram feridas.
No mesmo período de 2025, a participação dessas ações era ainda maior. Entre as 122 pessoas baleadas em fevereiro do ano passado, 61% (75) foram atingidas durante ações e operações policiais, das quais 28 morreram e 47 ficaram feridas.
A violência armada também esteve presente em crimes de roubo. Ao menos 28 pessoas foram baleadas durante assaltos ou tentativas de roubo, e metade das vítimas morreu. Em fevereiro de 2025, foram mapeadas 20 vítimas em ocorrências desse tipo, das quais 11 morreram e nove ficaram feridas.
Dados detalhados
Com 95 tiroteios mapeados no mês, a capital fluminense concentrou 66% dos registros ocorridos na região metropolitana. Entre os municípios que compõem a região metropolitana do Rio de Janeiro, os mais afetados pela violência armada foram:
Rio de Janeiro: 95 tiroteios, 49 mortos e 39 feridos
São Gonçalo: 20 tiroteios, 5 mortos e 9 feridos
Duque de Caxias: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Niterói: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Nova Iguaçu: 4 tiroteios, 11 mortos e 1 ferido
São João de Meriti: 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
São Gonçalo: 20 tiroteios, 5 mortos e 9 feridos
Duque de Caxias: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Niterói: 6 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido
Nova Iguaçu: 4 tiroteios, 11 mortos e 1 ferido
São João de Meriti: 4 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
Bairros
Os bairros mais afetados pela violência armada foram:
Paciência: 5 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
Bangu: 5 tiroteios e 2 mortos
Centro: 4 tiroteios, 2 mortos e 3 feridos
Maré: 4 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
Taquara: 4 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos
Bangu: 5 tiroteios e 2 mortos
Centro: 4 tiroteios, 2 mortos e 3 feridos
Maré: 4 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
Taquara: 4 tiroteios, 5 mortos e 2 feridos
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