Nesta segunda (9), o estabelecimento "Boteco Du Mi" amanheceu com diversas marcas de tiros e sangue espalhado pelo chão.
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Segundo a Polícia Militar, Ana Cristina dos Santos, de 57 anos, chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Geral do município, mas não resistiu. Também vítima de bala perdida, Jéssica Lorena Sampaio, de 34, foi atingida na perna, passou por atendimento médico e recebeu alta em seguida.
As investigações estão a cargo da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Além de Júlio, a Polícia Civil identificou Fagner Ribeiro de Paiva. Os outros três ainda não tiveram a identidade divulgada. Diligências estão em andamento para apurar a autoria e a motivação do crime.
Após o ocorrido, a página do jornal ficou fora do ar. Procurada, a família informou que não irá se pronunciar.
"Neste momento, a família Lemos não irá se pronunciar, até porque ainda não há fatos concretos esclarecidos. As informações que temos são as mesmas que vêm sendo divulgadas pela imprensa até agora. Vamos aguardar o andamento das investigações e, somente após a apuração dos fatos, será feito um pronunciamento oficial", explicou.
No Instituto Médico Legal do município, um amigo dos rapazes, Leandro de Souza, lamentou o ocorrido. "A gente sente porque é uma pessoa que eu conhecia, né? Eu vi crescer todos, foram criados comigo. Da época de sofrimento meu. São gente boa, não são envolvidos em nada de parada de errada", disse.
Até o momento, não há informações sobre o local e horário do enterro das vítimas.
Irmão assassinado em 2013
Em 2013, o empresário José Roberto Ornelas de Lemos, o Betinho, irmão de Júlio, foi executado com pelo menos 44 tiros. Ele foi baleado em uma padaria na Rua Eduardo Pacheco Vilena, no bairro Corumbá, em Nova Iguaçu, e levado por amigos para o Hospital da Posse. O caso foi registrado na 58ª DP (Posse).
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato ocorreu porque o empresário não permitia a expansão da milícia local para o bairro Corumbá e ameaçava delatar, em seu jornal de grande circulação na Baixada Fluminense, os crimes praticados pela organização criminosa, investigada em outro processo. Os acusados foram presos em 2015.
Na época, em entrevista a O DIA, Júlio chegou a defender o irmão. "No dia 13 de junho de 2013 choramos pelo Beto e estamos aqui para cobrar explicações da polícia que ainda não prendeu os assassinos. Ele foi morto de forma covarde. Meu irmão denunciava maus policiais, bandidos e políticos e recebia ameaças. Calaram sua voz com 41 tiros", disse.
"Betinho" era diretor financeiro do "Hora H". Ele também já havia sido preso por suspeita de chefiar um grupo de extermínio que executou, em 2002, Kenedi Jaime de Souza, de 52 anos, então subsecretário de Governo e presidente da Comissão de Licitações da Prefeitura de São João de Meriti. Ele negou a participação no crime e ganhou, na Justiça, o direito a liberdade.
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