Família de Myrella Ramos de Sousa esteve no IML do Centro na terça-feira (17)Érica Martin / Agência O Dia
Publicado 19/03/2026 11:18
Rio - Após iniciar uma investigação epidemiológica nas amostras da autópsia de Myrella Ramos de Souza, de 3 anos, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que a morte da menina aconteceu por meningite meningocócica. A criança morreu depois de dar entrada no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste, no último domingo (15). A mãe alega que houve falta de atendimento adequado.
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Myrella chegou no hospital com febre, dor na barriga e enjoo. Ao DIA, Tayssa de Araújo Ramos, de 22 anos, mãe da vítima, disse que a filha foi atendida por um médico, que apenas receitou uma medicação e depois a liberou.
Ainda segundo a mãe, quando a criança chegou em casa, ela rejeitou o remédio e começou a sentir uma forte dor de cabeça. Tayssa retornou com a filha para o Cardoso Fontes, a menina foi entubada e sofreu parada cardiorrespiratória, morrendo na madrugada de segunda-feira (16).
A principal alegação de Tayssa é de que houve erro no atendimento à sua filha. Segundo ela, os médicos não examinaram a criança da maneira correta para diagnosticar a doença.
"O médico perguntou o que ela tinha. Eu falei e ele me perguntou se ela tinha alergia a algum remédio. Eu não sabia. Ele fez uma receita e mandou entregar na sala de medicação, para dar um medicamento a ela e colocá-la no soro. Não escutou o coração dela, não a examinou, só perguntou o que ela tinha e passou os remédios", contou.
Na terça-feira (17), a família recebeu a notícia de que a autópsia do Instituto Médico Legal (IML) identificou que Myrella morreu devido a meningite. Nesta quarta-feira (18), a SMS informou que uma análise feita pelo Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) também constatou o fato. De acordo com a pasta, essa doença é agressiva, tem alto risco de óbito e às vezes não apresenta sinais característicos para o rápido diagnóstico.

"A Secretaria está orientando a família e os contactantes dentro dos protocolos epidemiológicos preconizados para situações dessa natureza", disse em nota.
"Cuidados indicados"
Sobre a acusação de Tayssa, a SMS afirmou que Myrella foi atendida por dois pediatras, com quadro inicial de síndrome diarreica, sem sinal de gravidade. A pasta destacou que a paciente recebeu todos os cuidados indicados para os sintomas que apresentava.
"A direção do Hospital Cardoso Fontes se solidariza com a família neste momento de dor. A direção está à disposição dos responsáveis para outros esclarecimentos", ressaltou.
A menina foi enterrada na tarde desta quarta-feira (18) no Cemitério do Pechincha, na Zona Sudoeste. A 41ª DP (Tanque) segue investigando o caso.
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