Família de Myrella esteve no IML do Centro nesta terça-feira (17)Érica Martin / Agência O Dia

Rio - A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) iniciou, nesta terça-feira (17), uma investigação epidemiológica para apurar a morte de Myrella Ramos de Sousa, de 3 anos, ocorrida no Hospital Cardoso Fontes, no bairro de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. A mãe da menina alega que houve erro no atendimento e diagnóstico dos médicos.
A criança deu entrada no hospital no último domingo (15) com febre, dor na barriga e enjoo. Ao DIA, Tayssa de Araújo Ramos, de 22 anos, mãe da vítima, disse que a filha foi atendida por um médico, que só receitou uma medicação e posteriormente a liberou.
"O médico perguntou o que ela tinha. Eu falei e ele me perguntou se ela tinha alergia a algum remédio. Eu não sabia. Ele fez uma receita e mandou entregar na sala de medicação, para dar um medicamento a ela e colocá-la no soro. Não escutou o coração dela, não a examinou, só perguntou o que ela tinha e passou os remédios", contou.
Segundo Tayssa, já em casa, a filha rejeitou o remédio e ficou fraca, sentindo uma forte dor na cabeça. A mãe levou novamente Myrella no hospital e ela foi entubada. Durante a madrugada de segunda, a criança piorou e sofreu parada cardiorrespiratória, não resistindo e vindo à óbito.
Ainda de acordo com a mãe, enfermeiros disseram que a menina teve uma reação alérgica ao medicamento. A causa da morte apontada pela equipe do hospital foi "choque anafilático devido ao efeito adverso de droga ou medicamento correto e administrado de maneira apropriada."
A família esteve no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro, nesta terça-feira (17). No local, recebeu a informação de que Myrella morreu por meningite. Para a mãe, houve falha no atendimento, pois isso deveria ser identificado pelos médicos.
Análise das amostras
Nesta terça, a SMS informou que recebeu as amostras coletadas na autópsia e as encaminhou para análise. A investigação epidemiológica foi iniciada, e a família e os contactantes estão sendo orientados a seguir os protocolos técnicos preconizados para situações dessa natureza.
Segundo a pasta, Myrella foi atendida por dois pediatras, com quadro inicial de síndrome diarreica e sem sinais de gravidade. Após avaliação, a mãe da menina recebeu orientações e a equipe liberou a paciente. Horas depois, a criança retornou à unidade com o agravamento do quadro clínico e a suspeita de reação alérgica, evoluindo para parada cardiorrespiratória e morte.
A SMS reconheceu que houve dificuldade em estabelecer o diagnóstico da menina. O corpo foi encaminhado ao IML, onde identificaram sinais de encefalite bacteriana não especificada.
"Em razão da agressividade da doença, foram coletadas amostras para análise laboratorial, com o objetivo de identificar o agente etiológico", disse em nota.
O caso é investigado pela 41ª DP (Tanque). De acordo com a Polícia Civil, documentos já foram solicitados ao hospital e testemunhas são ouvidas. Outras diligências estão em andamento para apurar os fatos.
Myrella será enterrada na tarde desta quarta-feira (18) no Cemitério do Pechincha, na Zona Oeste.