Myrella Ramos de Sousa morreu na madrugada desta segunda-feira (16)Érica Martin / Agência O Dia

Rio - A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar a morte de uma menina, de 3 anos, no Hospital Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste. Segundo depoimento da mãe, médicos da unidade não realizaram o atendimento adequado e tampouco diagnosticaram que a criança estava com meningite.
Myrella Ramos de Sousa deu entrada no hospital na tarde do último domingo (15) com febre, dor na barriga e enjoo. Ao DIA, Tayssa de Araújo Ramos, de 22 anos, mãe da criança, disse que a filha foi atendida por um médico, que apenas receitou uma medicação e posteriormente a liberou.
"O médico perguntou o que ela tinha. Eu falei e ele me perguntou se ela tinha alergia a algum remédio. Eu não sabia. Ele fez uma receita e mandou entregar na sala de medicação, para dar um medicamento a ela e colocá-la no soro. Não escutou o coração dela, não a examinou, só perguntou o que ela tinha e passou os remédios", contou.
Segundo Tayssa, já em casa, a filha começou a rejeitar o remédio, ficando fraca e sentindo uma forte dor na cabeça. A mãe levou novamente Myrella no hospital e ela foi entubada. Durante a madrugada de segunda, a criança piorou e sofreu parada cardiorrespiratória, não resistindo e vindo à óbito.
Ainda de acordo com Tayssa, enfermeiros disseram que a menina teve uma reação alérgica ao medicamento. A causa da morte apontada pela equipe do hospital foi "choque anafilático devido ao efeito adverso de droga ou medicamento correto e administrado de maneira apropriada."
A família esteve no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro, nesta terça-feira (17). No local, recebeu a informação de que Myrella morreu por meningite. Para a mãe, houve falha no atendimento, pois isso deveria ser identificado pelos médicos.
"O médico não ouviu o coração da minha filha, não viu como ela estava, só perguntou o que ela estava sentindo. Como viram que ela deu uma reanimada, mandaram pra casa. Eles não tiveram assistência de examinar a minha filha, de fazer um exame de sangue, só passaram o medicamento. Me contaram que foi reação alérgica e não foi. Com certeza foi erro médico. Eles não podiam dar um medicamento para ela sem eles testar, sem ver se ia dar alguma coisa", completou.
Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) destacou que a direção do Cardoso Fontes acompanha o caso desde o início. De acordo com a pasta, a criança foi atendida por dois médicos pediatras experientes e, até o momento, não houve qualquer indício de falha na assistência.
A Comissão de Óbitos da unidade monitora a situação. "O corpo foi encaminhado para o IML, para definição da causa exata da morte e detalhamento se a alergia foi a algum medicamento ou a alguma substância ingerida", explicou em nota.
O caso foi registrado na 41ª DP (Tanque). A Polícia Civil informou que já solicitou documentos ao hospital e que testemunhas são ouvidas. Outras diligências estão em andamento.
Ainda não há informações sobre o enterro de Myrella.