Corpo da médica Andréa Marins Dias foi sepultado no Cemitério da Penitência, no Caju, nesta terça-(17)Reginaldo Pimenta/Agência O Dia

Rio – O Ministério da Igualdade Racial publicou, nesta segunda-feira (16), um ofício no qual cobra do Governo Estadual do Rio e da Secretaria de Segurança Pública informações sobre “providências administrativas e investigativas” adotadas pela morte da médica Andrea Marins Dias, que foi baleada durante uma perseguição de policiais militares a bandidos em Cascadura, na Zona Norte, no domingo (15).
Dentre as solicitações listadas no documento, uma se refere ao envio para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) das imagens das câmeras corporais dos agentes e de outros equipamentos instalados na região. O MIR também questiona se a Corregedoria da PM instaurou procedimento investigativo ou comunicou formalmente o Ministério Público.
O ofício salienta ainda a atuação do MIR para a “promoção de políticas que garantam a proteção das vidas de todas as pessoas, em prol da justiça, da igualdade racial e dos direitos humanos”.
A PM, por sua vez, comunicou, também nesta segunda, que a Corregedoria instaurou um procedimento para apurar o caso e que o comando do 9º BPM (Rocha Miranda), onde os policiais envolvidos são lotados, determinou o afastamento deles de atividades externas. A corporação destacou ainda que encaminhou as câmeras corporais para perícia da Polícia Civil.
Despedida
O corpo de Andréa Marins, de 61 anos, foi sepultado nesta terça-feira (17), no Crematório e Cemitério da Penitência, no Caju, na zona portuária do Rio.
O médico anestesiologista Armando Novais, que trabalhou com Andréa por mais de 10 anos na mesma equipe de cirurgia, conversou com a imprensa em nome da família durante a cerimônia. Ele exaltou a amizade que tinha com a vítima e lamentou a morte da colega de profissão.
“Eu tinha uma cirurgia marcada com ela para sexta-feira (20). Um amigo da equipe me ligou. Eu tomei um susto, achando que tinha mudado algo, ou eu tinha marcado o dia errado. E ele falou: 'a Andréa está morta'. Eu congelei... Uma catástrofe. Ela era uma pessoa muito viva, cheia de energia, levava luz onde estava... Ela cuidava, se dedicava. Perdemos uma amiga, uma companheira de trabalho. Uma pessoa que veio da luta, que batalhou, se formou. Naquela época, uma mulher negra, que enfrentou muita coisa e nunca perdeu a humildade, a hombridade”, disse.