Publicado 30/03/2026 15:51
Rio - Familiares e amigos de Andressa do Nascimento, de 35 anos, se reuniram em uma manifestação pacífica na BR-101, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, na manhã desta segunda-feira (30). No ato, que mobilizou cerca de 20 pessoas, eles pediram justiça pela morte da moradora do Complexo do Salgueiro, baleada durante uma operação no Conjunto da Marinha, na última sexta-feira (27).
PublicidadeCom cartazes que protestavam sobre as constantes mortes de moradores das comunidades do Rio, o grupo ocupou uma faixa da via, na altura de Itaúna. Durante o ato, os manifestantes usaram camisas brancas com a foto de Andressa e soltaram balões brancos em sua homenagem.
A O DIA, Camila Silva, de 31 anos, amiga da vítima, contou que, até o momento, não houve qualquer tratativa do estado com a família. “Até agora, o estado, nem ninguém, nos procurou para dar uma resposta. Estamos atrás de justiça para que ela não seja mais uma moradora morta dentro de uma comunidade. Ninguém veio falar com a família. Estamos todos muito triste”, disse.
Durante o ato, uma das filhas de Andressa não aguentou a emoção e acabou passando mal. A menina, de 8 anos, precisou ser socorrida por uma equipe da concessionária Arteris Fluminense, responsável pela administração da via.
Andressa deixa cinco filhos. Um deles, de 13 anos, estava com a vítima no momento em que a ela foi atingida próximo a uma mercearia da região. Segundo Camila, o menino tem tido pesadelos com a cena desde o ocorrido.
“Ele viu tudo, até os policiais matando ela. Ele está passando mal toda hora. Está vendo ela em todos os lugares, está muito mal. Ele está comigo e com o pai. Os outros estão com o pai”, contou a amiga da vítima.
O protesto foi acompanhado por agentes da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com Camila, a família chegou a receber ameaças dos policiais. “Falaram que era para a gente não fechar a via e, que se precisasse, iriam usar a força”, disse.
Descrita como uma pessoa alegre, Andressa faz falta para quem convivia com ela. “Estou triste. Não tinha um do lado dela que ficava triste. Ela era muito feliz. Fazia os outros rirem, dançava, brincava… Ela estava tão contente que tinha comprado a casa dela e nem vai poder aproveitar”, lamentou.
O corpo de Andressa foi sepultado no fim da tarde de sábado (28), no Cemitério Parque da Paz, no Pacheco, em São Gonçalo. Um ônibus com parentes e amigos saiu da comunidade para participar da despedida.
O que dizem as polícias?
A família alega que o tiro que matou Andressa partiu da PRF. A corporação, porém, nega e afirma que disparos partiram de bandidos em área de mata. A PM diz que realizava uma operação de retirada de barricadas na região.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que "tomou conhecimento desta fatalidade e lamenta profundamente". Em nota, o órgão explicou que, até o momento, toda a dinâmica indica que a moradora foi atingida por disparo realizado da mata pelos bandidos que atacavam as equipes policiais que realizavam o resgate de equipe da Polícia Militar presa no local. "O homicídio deve ser objeto de apuração pela Polícia Civil e a PRF prestará a colaboração necessária à investigação", informou em comunicado.
De acordo com a Polícia Militar, a operação na comunidade teve início logo de manhã para a retirada de barricadas de vias públicas. No fim da tarde, após informações de que um criminoso estaria ferido nas proximidades do conjunto da Marinha, foi solicitado apoio no veículo blindado da PRF.
Durante a ação, bandidos atiraram contra os policiais, ocasião em que a mulher acabou atingida no local. Ainda no confronto, três policiais ficaram feridos por estilhaços, no rosto e no braço, e um quarto sofreu uma torção no pé. Após atendimento no Hospital Estadual Alberto Torres (Heat) receberam alta.
O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG). Diligências estão em andamento para apurar as circunstâncias dos fatos, informou a Polícia Civil.
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