Família de Andressa Nascimento foi recebida pela Comissão dos Direitos Humanos da AlerjDivulgação
Publicado 01/04/2026 18:48 | Atualizado 01/04/2026 19:10
Rio - A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj recebeu na terça-feira (30) a família de Andressa Nogueira, moradora morta durante operação policial no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana, na semana passada.
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A comissão anunciou que vai enviar um ofício ao Ministério Público, Secretaria de Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF) para exigir esclarecimentos detalhados sobre a ação, incluindo motivações legais e operacionais, cadeia de comando, uso da força, eventual omissão de socorro, preservação da cena do crime e uso de câmeras corporais pelos agentes envolvidos.
“É impossível não se revoltar. Andressa era mãe de cinco filhos, a força da família, uma mulher que lutava todos os dias para sustentar sua casa. Ela foi baleada quando tentava buscar os próprios filhos, no meio da ação que, ao que tudo indica, desrespeitou protocolos básicos e colocou toda uma comunidade em risco. A dor dessa família é devastadora e não pode ser ignorada”, disse a presidente da comissão, a deputada Dani Monteiro.
Nos ofícios, a Comissão cobra a justificativa da operação, a identificação dos responsáveis e o balanço completo, com mandados cumpridos, prisões, mortos, feridos e apreensões, e questiona a ausência de socorro imediato às vítimas, falhas na preservação das cenas de crime e eventual comunicação prévia ao Ministério Público, além de solicitar a preservação de todos os registros da operação, incluindo imagens, e esclarecimentos sobre o planejamento e as medidas adotadas para proteger os moradores.
Na segunda-feira (30), familiares de Andressa pediram por justiça em um protesto pacífico na BR-101, na altura de Itaúna. O grupo, de cerca de 20 pessoas, ocupou uma faixa da via com cartazes. Eles usaram camisas com a foto da da moradora e soltaram balões brancos em sua homenagem.
Durante o ato, uma das filhas de Andressa, de 8 anos, passou mal e precisou ser socorrida. Outro filho, de 13, estava com a vítima no momento em que ela foi atingida. Desde o ocorrido, ele tem tido pesadelos com a cena chocante.
A família alega que o tiro que matou Andressa partiu da PRF. A corporação, porém, nega e afirma que disparos partiram de bandidos em área de mata. A PM diz que realizava uma operação de retirada de barricadas na região.
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