Familiares, amigos e colegas de profissão se despedem da guarda municipal Kelly Cristina Duffles RibeiroÉrica Martin / Agência O Dia
Publicado 07/04/2026 16:18
Rio - O enterro da guarda municipal Kelly Cristina Duffles Ribeiro, de 44 anos, atropelada por um carro desgovernado na Avenida de Santa Cruz, em Senador Camará, Zona Oeste, foi marcado por revolta e pedidos de justiça, na tarde desta terça-feira (7), no Cemitério de Campo Grande, na mesma região.
Publicidade
De acordo com Moacema Duffless, tia e madrinha da servidora, a motorista do carro não pode ficar impune. 

"Eu espero que a nossa política agora mude, né? Porque essa mulher não pode ficar impune, não. Ela não quis fazer o teste do bafômetro, ela não quis nada. Ela alegou que não era ela que estava dirigindo, mas era, ela estava sem carteira, disse que o carro é da mãe dela, que pegou a chave escondida da mãe, então tem que pegar as duas. Ela é uma irresponsável, ceifou a vida da minha sobrinha, da minha afilhada", lamentou.
A familiar descreveu Kelly como uma mulher alegre e trabalhadora. Ela contou ainda que a guarda-municipal era quem cuidava da mãe e das filhas gêmeas.
"São 13 anos trabalhando na Guarda Municipal, e agora vamos fazer o quê? Daqui a pouco ela (a motorista) sai pela porta da frente rindo de todo mundo. Ela era uma pessoa boa, alegre, quando chegava na minha casa só fazia bobeira pra mim. A família Duffless está dilacerada com isso, porque a gente não esperava. Agora é só Jesus, né? Eu creio que o meu Deus vai consolar todos nós. Ele vai trazer alívio para nossa família", disse.
Moacema demonstrou grande preocupação com a irmã, mãe da vítima. "Ela não tem saúde, estava internada há pouco tempo. Quer dizer, o que vai ser da minha irmã? Que tudo  era Kelly. O alfa da família dela, das filhas e da minha irmã, era ela. Tudo era Kelly", afirmou.
Por fim, a tia pediu por justiça. "Eu espero que jogue a chave da cadeia fora, desejo cadeia para as duas. Uma, porque a mãe tem que se responsabilizar, como é que ela deixa a filha dela sem carteira, pegar no carro? Ah, porque não viu. Então pega ela também. Tem que ter justiça, gente. Senão vai como ela, vai ter vários outros casos", desabafou.
Miguel Ângelo, irmão de Kelly, também pediu por justiça e afirmou que a motorista deve permanecer presa para pagar pelo crime.
"Ela pegou a minha irmã na calçada. Minha irmã estava parada na calçada esperando para atravessar a rua. Ela subiu a calçada, veio derrapando e perdeu a direção. Ela veio em alta velocidade, deu uma pancada na minha irmã e bateu no muro do posto de gasolina. Essa menina é um monstro. Tem que ficar presa. Ela merece ficar presa. Ela tirou a vida de uma pessoa", disse revoltado.
Miguel foi o primeiro da família a ser avisado sobre o acidente. Após ir à UPA de Senador Camará, para onde Kelly foi levada, ele compareceu à delegacia, onde encontrou a motorista. Segundo ele, na unidade policial, ela mentiu sobre estar no comendo do veículo.
"Na delegacia ela ainda disse que não foi ela que estava dirigindo, que tinha uma outra pessoa. Mentira, todo mundo viu que ela estava dirigindo e que passou para o banco de trás. Ela virou para mim, dentro da delegacia, e falou: 'Pô, amigo, me desculpa, mas não foi eu'. Na maior cara de pau. Pô, que isso? Que loucura. Ela acabou de assassinar uma pessoa e fala para mim que não foi ela que estava dirigindo? As pessoas cercaram o veículo para ela não sair, para ela não fugir, porque ela queria fugir. É um ser humano podre. Essa menina veio da balada, passou a noite bebendo e tirou a vida da minha irmã. Minha irmã estava saindo do serviço. Eu preciso que que ela pague pelo que fez. Ela tem que pagar por esse crime. Isso não pode ficar impune.", afirmou.
De acordo com o irmão de Kelly, a agente era querida por todos e conhecida na região, já que trabalhava há muitos anos no bairro. 
"A Kelly era uma pessoa maravilhosa, trabalhadora, que sempre correu atrás, sempre estudou, tinha duas meninas lindas. A minha irmã era um doce de pessoa. Ela era muito bem conhecida. Ela tinha 15 anos de Guarda Municipal e há mais de 10 ela estava em Bangu. Todo mundo conhecia a Kelly. Ela era gente boa demais", lamentou.
Relembre o caso
Kelly, que era lotada na 5ª Inspetoria (Bangu), morreu após ser atropelada por um carro desgovernado na Avenida de Santa Cruz. A vítima estava voltando para casa, depois do plantão, quando acabou sendo atingida pelo veículo, na altura da Praça da Pedra Branca.
Segundo a Polícia Militar, agentes do 14º BPM (Bangu) foram acionados para atender uma ocorrência de acidente de trânsito com vítima. No local, as equipes encontraram bombeiros socorrendo Kelly. Ela foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Senador Camará. Contudo, não resistiu aos ferimentos.
A condutora do veículo, Marina Calmon Lopes, de 25 anos, não possui carteira de habilitação e teria pego escondido o carro da mãe para ir a uma festa horas antes do acidente. Horas antes do acidente, a condutora publicou, por volta das 4h, vídeos em suas redes sociais se divertindo na boate.
Após o acidente, a Marina foi socorrida e levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, ainda na Zona Oeste. A mulher recusou atendimento. Posteriormente, policiais a conduziram para a 34ª DP (Bangu), onde acabou autuada em flagrante por homicídio culposo - quando não há intenção de matar - provocado por atropelamento.
A Guarda Municipal do Rio lamentou a morte da servidora e garantiu que está dando apoio à família, além de acompanhar as investigações. "Espera-se que a Polícia apure os fatos para a eventual responsabilização dos envolvidos", disse o órgão por meio de nota.
Leia mais