Publicado 15/04/2026 10:04
Rio - O cantor Marlon Brendon Coelho Couto Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, foi preso na manhã desta quarta-feira (15), em ação da Polícia Federal na sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio. Essa é a terceira vez que o artista é detido desde que ganhou notoriedade no mundo da música, no fim da década de 2010.
PublicidadeA primeira prisão aconteceu em setembro de 2019, durante um show na cidade de Sorriso, no Mato Grosso. Na ocasião, ele foi investigado por apologia ao crime, tráfico de drogas, associação ao tráfico, incitação ao crime, corrupção de menores e fornecer bebida alcóolica para menores.
Poucos meses depois, em julho de 2020, o cantor passou a ser alvo de um inquérito da Polícia Civil do Rio por ligação ao tráfico e chegou a ser considerado foragido. Agentes estiveram na casa de Poze, mas não o encontraram. Cerca de uma semana depois, a Justiça revogou o pedido de prisão. O inquérito afirmava que Marlon incitava violência, promovia grupo criminoso e participava de shows pagos pelo tráfico, como uma apresentação que ocorreu na favela do Jacarezinho, na Zona Norte.
Em 2023, equipes da 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) cumpriram mandados de busca e apreensão na casa do funkeiro. Ele havia sido denunciado por agressão contra um ex-empresário. Na ocasião, a assessoria de Poze relatou que o homem agredido estaria envolvido no furto de uma joia do MC e, assim que o ocorrido foi descoberto, houve uma briga.
Marlon voltou às páginas policiais em novembro 2024, durante a Operação Rifa Limpa, da Polícia Civil do Rio. O cantor teve bens apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra Vivi Noronha, com que Poze era casado. Os agentes investigaram influenciadores suspeitos de envolvimento em um esquema ilegal de sorteios de rifas nas redes sociais.
A segunda prisão do artista aconteceu cerca de seis meses depois, em maio de 2025. Equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) detiveram Poze por apologia ao crime e suspeita de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho. A investigação apontou que ele só realizava shows exclusivamente em áreas dominadas pelo CV, com a presença ostensiva de traficantes armados com armas de grosso calibre, como fuzis, garantindo a "segurança" do artista e do evento. Além disso, pontuou que as músicas cantadas por ele fazem clara apologia ao tráfico, uso ilegal e armas e incita confrontos entre facções.
Ao ser levado para a Penitenciária Doutor Serrano Neves, conhecida como Bangu 3A, no Complexo de Gericinó, Marlon declarou relação com o Comando Vermelho, segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária. Procurada, a defesa do MC afirmou que o sistema penitenciário divide presos provisórios e sentenciados por critérios relacionados à comunidades de origem ou supostas relações com determinações territoriais.
Ao deixar o presídio, em junho do mesmo ano, Poze foi abraçado por uma multidão de fãs em clima de festa, com direito a trio elétrico, na porta do Complexo de Gericinó. Ele entrou em um carro e apareceu no teto solar do veículo abraçado com a mulher Vivi Noronha. Outros cantores, como MC Cabelinho, Borges, Chefin e Oruam também estiveram presentes.
Meses antes, em outubro de 2024, o artista havia contado sobre sua atuação no tráfico de drogas durante a adolescência na comunidade do Rodo, em Santa Cruz, na Zona Oeste.
"Já troquei tiro, fui baleado e preso também. E eu pensei: vou querer ficar nessa vida aqui ou viver uma vida tranquila? Então, eu foquei em viver uma vida tranquila, batalhei e hoje em dia eu passo isso para a molecada: o crime não leva a lugar nenhum", disse Poze ao 'Profissão Repórter', da TV Globo. Na produção, ele afirma que suas letras são reflexo do que já passou.
Conhecido por ostentar uma vida de luxo, o 'Pitbull do Funk' acumula mais de 15 milhões de seguidores no Instagram e é um dos cantores mais escutados no Brasil atualmente. Entre as músicas mais conhecidas, estão "Diz aí qual é o plano?", "Me sinto abençoado", "Madrugada é solidão", "Essência de cria" e "A cara do crime", que retratam o cotidiano nas comunidades do Rio.
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