Audiência do TRT sobre greve de ônibus terminou sem novos acordosReginaldo Pimenta/Agência O DIA
Publicado 01/07/2026 10:55 | Atualizado 01/07/2026 16:17
Rio - O Rio Ônibus informou, na manhã desta quarta-feira (1º), que os rodoviários terão reajuste de 4,39%, sobre o salário e cesta básica, no próximo pagamento referente ao mês de junho. Segundo o sindicato patronal, a medida ocorre para viabilizar o encerramento da greve que já dura três dias. No início da tarde, uma assembleia foi realizada no Tribubal Superior do Trabalho (TRT), mas terminou sem novos acordos.
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Quais próximos passos?
Segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, uma reunião com a categoria, a partir das 16h, na sede da instituição em Rocha Miranda, na Zona Norte, irá definir os rumos da greve.

A proposta definida no tribunal é que haja uma trégua na paralisação e que os rodoviários voltem ao trabalho nesta quinta-feira (2). Posteriormente, na próxima segunda-feira (6), haverá uma nova audiência.

"Nós vamos levar para a assembleia, atendendo ao apelo do presidente da sessão e do Ministério Público, para que a gente continue com a negociação sem a greve decretada. Então, o que vai ser levado à assembleia é o seguinte: suspender a paralisação, mantendo o estado de greve, e iniciar uma mesa permanente de negociação aqui no Tribunal para buscar a melhoria daquilo que já foi, de certa forma, assumido pelos empresários, que é não descontar os dias de greve, pagar o mês fechado e apresentar uma proposta mais palpável na segunda-feira", disse.

O presidente frisou que o nível de insatisfação dos trabalhadores é grande, mas que realizar uma trégua na greve é uma proposta do tribunal.

"A gente vai levar isso e vai fazer essas ponderações lá e estamos otimistas, o trabalhador deve estar acompanhando aqui a audiência e está consciente que essa, talvez, é a melhor alternativa para a gente levantar o movimento e retomar a mesa de negociação em um ambiente menos estressado", acrescentou.

Sebastião destacou que só participarão da votação aqueles que pertencem a categoria. "Só aqueles que pertencem à categoria e que têm legitimidade para deliberar sobre a manutenção da greve, que não está descartado isso, porque é um direito constitucional manter a greve ou atender ao apelo do presidente do tribunal. Então, quem vai deliberar hoje são os trabalhadores, os donos do direito, ontem nós tivemos influências de terceiros", explicou.

Por fim, o presidente ressaltou que os 4,39% de reajuste é visto como uma uma sinalização de boa vontade do setor patronal.

"É uma atitude de antecipação, porque esse percentual não representa a negociação coletiva. Ele já foi rejeitado pela categoria em assembleia, mas funciona como uma antecipação para que haja uma sinalização de boa vontade do setor patronal, reabrindo a negociação e atendendo à proposta real dos trabalhadores, que é um piso decente, compatível com a importância que a nossa categoria tem para a cidade do Rio de Janeiro", afirmou.
Poucos ônibus seguem em circulação 
Ao todo, 1.650 ônibus circulam pela cidade, mesmo após decisão judicial determinar que 80% da frota deveriam estar nas ruas. Em relação ao BRT, a Mobi-Rio informou que dos 541 veículos projetados para operar na hora de pico nesta quarta-feira (entre 6h e 7h), um total de 502 estavam à disposição. Esse número representa 92% da operação programada.
"Infelizmente, por conta do descaso do Sindicato dos Rodoviários - que não enviou as escalas aos motoristas - e dos baderneiros que estão vandalizando coletivos e agredindo os profissionais que resolveram trabalhar, a operação de hoje, mais uma vez, não atingiu o percentual determinado pela Justiça, de 80%", disse Paulo Valente, diretor de Comunicação do Rio Ônibus.
O sindicato patronal reforça ainda para que os motoristas se dirijam às garagens e retornem ao trabalho imediatamente.
"O compromisso do Rio Ônibus é, acima de tudo, com os passageiros. Trabalhamos com total transparência e, ao contrário do que afirma a Prefeitura do Rio, os nossos dados já eram públicos e acessíveis a todos, inclusive à imprensa e à própria Prefeitura, muito antes da implantação do Jaé e do fim do dinheiro a bordo. O que não acontece com a Mobi-Rio, cujos dados não estão disponíveis para consulta em tempo real", acrescentou.
A Prefeitura do Rio, no entanto, frisa que cumpriu a determinação do TST de garantir a frota mínima circulando na cidade. Segundo o prefeito Eduardo Cavaliere, 92% dos BRTs estão nas ruas.

"Infelizmente, é o terceiro dia que os consórcios não cumprem as decisões judiciais para atender a população carioca com o mínimo de ônibus comuns estabelecido pela Justiça. Aliás, só é possível saber os dados de acompanhamento do sistema de ônibus comuns porque a prefeitura acabou com a caixa preta e deu transparência ao sistema com GPS e bilhetagem pública com o Jaé que permite a fiscalização em tempo real. Vamos seguir defendendo o interesse público e a população carioca", acrescentou Cavaliere.
Já o Sindicato dos Rodoviários afirma que, desde o dia 28, enviou para a direção do Rio Ônibus um ofício pedindo a escala com a relação dos coletivos em cada garagem.
"Vale lembrar que o sindicato só detém a relação e contatos dos motoristas sindicalizados, cerca de 50% da categoria, os demais ficam em poder das empresas. Pena essa situação de imputar responsabilidades", ressaltou o presidente da entidade, Sebastião José.
Em relação ao aumento de 4,39%, a proposta já havia sido apresentada em reunião no TRT na terça-feira (30), mas não agradou a categoria. Na ocaisão, o sindicato propôs um reajuste dividido em duas parcelas, sendo uma de 8% agora e 8,3% adicionais em novembro, totalizando os 17% reivindicados pelos rodoviários, mas a sugestão foi rejeitada pelas empresas.
Sobre os atos de vandalismo ocorridos após a audiência, a direção do sindicato frisou que é contrária a qualquer tipo de ação violenta e que não aceita e nem compactua com esse tipo de comportamento.
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