Victor Manrique lamentou a perda da família após queda de helicópteroFred Vidal / Agência O Dia
Publicado 09/08/2026 12:28 | Atualizado 09/08/2026 12:52
Rio - O engenheiro Victor Manrique, parente das três turistas colombianas que morreram na queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na Zona Norte do Rio, pediu a suspensão de voos panorâmicos na cidade.
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O colombiano esteve no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro, na manhã deste domingo (9), para reconhecimento dos corpos dos familiares. No local, Manrique lembrou do acidente ocorrido em junho - também envolvendo helicópteros - que causou a morte de seis pessoas, incluindo o cantor Oliver Tree.
"Entenderia se no Rio não voariam helicópteros em voos panorâmicos. A operação deveria ser, no mínimo, suspensa. Sinceramente, quero que nenhuma outra família, que venha à essa bonita cidade conhecê-la, termine em tragédia. Todos no Rio foram espetaculares. Só quero que ninguém viva o que vivemos", destacou.
Manrique solicitou uma investigação séria sobre a queda da aeronave e que o caso não seja tratado como um mero acidente. De acordo com o engenheiro, a Polícia Civil ainda não o chamou para depor.
"Quero uma investigação e que isso não fique assim. Só quero que tenha uma investigação séria, real e que encontrem as responsabilidades. Não quero pensar que vão entregar os corpos da minha família, nós vamos para Colômbia e não acontecerá nada, que continuarão atuando com a mesma regularização. Não conheço as normativas e os procedimentos desse país, mas me parece curioso que, um dia depois, ainda não fui contatado por uma autoridade de polícia para tomar uma declaração. Não entendo o porquê", disse.
Assim como Manrique, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) também sugeriu a suspensão do serviço de voos panorâmicos no município e encaminhou um ofício à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) sobre o tema.
Questionada sobre o caso, a Polícia Civil se limitou a dizer que a investigação está em andamento na 19ª DP (Tijuca), que a perícia já foi realizada e que os agentes aguardam um laudo do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
"Outras diligências estão em andamento para apurar as causas da queda da aeronave", destacou a corporação.
Em nota, a Anac informou que está em contato com a Prefeitura do Rio para definir a linha de atuação conjunta na fiscalização, especialmente de voos panorâmicos.

Sobre o acidente, a agência ressaltou que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) vai investigar e apontar os fatores que levaram a queda. A Anac destacou que a aeronave estava com a certificação em dia e reiterou sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas.

Em relação aos voos panorâmicos, o órgão informou que são Serviços Aéreos Especializados (SAE) e devem ser prestados por empresas e profissionais devidamente certificados. Para isso, a Anac oferece o Voe Seguro, plataforma onde o passageiro pode verificar se a empresa está autorizada a fazer voos.
Falta de informação sobre a queda
Victor lembrou que contratou o serviço da empresa Voo Rio Panorâmico através do WhatsApp, mas afirmou que não recebeu apólice de seguro nem nota fiscal. Segundo ele, a falta de documentos causa estranheza.
O engenheiro contratou o passeio panorâmico para este sábado (8). Como eram seis passageiros, acabou sendo necessária a divisão em dois voos. Rocio Cubillos, de 59 anos, Wendy Manrique, 37, e Sofia Murillo, 17, embarcaram no primeiro. Elas são mãe, irmã e sobrinha de Victor, respectivamente. 
O engenheiro ficou no hangar junto da companheira e da filha, Laura. A família estava no Rio em viagem de comemoração de 15 anos da adolescente. De acordo com Manrique, a demora para a volta do helicóptero o preocupou. Ainda mais quando não o informaram sobre a queda.
"O voo estava programado para ser em 20 minutos. Passaram 30 e não voltaram. Comecei a perguntar o que estava acontecendo. Informaram que o piloto teve que fazer uma aterrissagem forçada. Não disseram que caíram. Já sabiam que tinham uma emergência e não falaram. Passou uma hora que não tínhamos uma resposta oficial, buscamos na internet informações sobre o acidente. Era a mesma zona, o mesmo horário e a mesma quantidade de pessoas. Já sabíamos que era eles. O aeroporto seguiu funcionando na normalidade. Não creio que seja o protocolo correto. Eu entendo que, se um helicóptero caiu, deveria suspender todas as operações, mas tudo seguiu com normalidade", completou.
O corpo das vítimas ainda não foi liberado. Devido ao cadáveres estarem carbonizados, a identificação terá que ocorrer pela arcada dentária. Documentos vindos da Colômbia serão analisados.
"É um momento difícil. Não sei se há uma pessoa mais triste no planeta no dia de hoje. Perdi a minha mãe, minha irmã e minha sobrinha. Nós entendemos que a liberação pode demorar, dependendo do estado dos corpos. Estamos trazendo as placas dentárias da Colômbia para ser mais rápido, mas ainda não temos um tempo de resposta", finalizou Victor.
A família do piloto Alessandro Rocha, outra vítima da queda, também esteve no IML neste domingo (9).
O que diz a empresa?
No IML, Eliane Ambrósio - representante da Voo Rio Panorâmico - afirmou que todos os documentos estão sendo verificados, mas que a prioridade é dar suporte às famílias das vítimas.
"Quando a pessoa faz qualquer compra, você faz um contrato. No momento em que você acessa o produto e concorda com os termos colocados, você está assinando um contrato. Tudo está sendo tratado, o seguro foi acionado e a empresa sempre seguiu as normas de segurança. Isso tudo será investigado e verificado. Nós vamos dar todo acesso à tudo. A empresa jamais vai se omitir e deixar de dar o suporte. A preocupação agora é acolher a família e fazer tudo que a gente puder para dar um conforto", contou.
Segundo Eliane, a demora de avisar a família sobre a queda do helicóptero ocorreu porque não queriam dar informações precipitadas.
"Quando a gente soube, mobilizamos uma equipe para ir até o local. Tudo chegou de uma forma truncada. Não sabíamos o que tinha acontecido. Não queríamos ser levianos e passar uma informação para a família, que fosse uma informação inverídica, que não fosse a realidade. Pegamos a família e seguramos para dar esse apoio. Assim que a gente teve a informação do óbito, nós comunicamos. Ficamos com eles o tempo todo", ressaltou.
A representante da empresa afirmou que cuidou do translado de familiares da Colômbia para o Brasil - como o pai da adolescente morta - e hospedagem. 
"Estamos procurando dar todo suporte para essas famílias nesse momento de dor terrível. Nada vai compensar essa perda, mas a gente poder dar o acolhimento e suporte, para que não se sintam desamparados. É a nossa principal preocupação", disse.
Ambrósio completou que todas as certificações da empresa e da aeronave estão em dia. "A gente trabalha dentro da total legalidade, tudo que a legislação exige. Não temos nada a esconder."
Apuração da FAB
A Força Aérea Brasileira (FAB), através do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), informou que os investigadores do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa III), com sede no Rio, foram acionados para realizar a Ação Inicial da ocorrência envolvendo a aeronave.
Durante a Ação Inicial, realizada logo depois do evento, investigadores qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para a coleta e confirmação de dados, a verificação dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações relevantes.
Nessa etapa, reúnem-se elementos que subsidiarão as fases posteriores da investigação, as quais têm por finalidade identificar possíveis fatores contribuintes para a queda, quando aplicável, permitir a emissão de Recomendações de Segurança voltadas à prevenção de novas ocorrências.
 
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