Público pôde interagir com objetos de pesquisa durante festival do Museu NacionalReginaldo Pimenta / Agência O Dia
Publicado 30/08/2026 15:07
Rio - Centenas de visitantes puderam interagir com elementos culturais e históricos durante a oitava edição do Festival Museu Nacional Vive, realizada na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na Zona Norte, neste domingo (30). Adultos e crianças conheceram pesquisas, coleções e projetos desenvolvidos pela instituição, que reabriu no ano passado, sete anos após um incêndio destruir 85% de seu acervo.
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O evento gratuito reuniu ciência, cultura, educação e patrimônio, apresentando para o público diferentes atividades interativas. A programação contou com a Tenda Científica, que ofereceu mais de 20 atrações relacionadas à biodiversidade, paleontologia, arqueologia, antropologia e vida marinha. O espaço ainda disponibilizou experiências sobre borboletas e mariposas, besouros, mamíferos, animais marinhos, atividades com realidade virtual, jogos e exemplares das coleções científicas do Museu Nacional.
Moradora do Cachambi, na Zona Norte, Maíra Ferreira, de 45 anos, levou o filho - Emanoel, de 10 - para a exposição. Segundo ela, a interação com os objetos de pesquisa é de extrema importância para adquirir conhecimento.
"Ele achou interessante os répteis. É uma história viva. É realmente o que aconteceu. Acho importante eles saberem a verdade e ligar o passado com o presente. É de extrema importância. A ciência e a história não eram tão palpáveis. A gente só via na teoria, nos livros e agora tem a possibilidade de tocar e de ver. Isso ensina até melhor que a própria escola. Não descartando, mas aqui é mais prático. Eles veem a realidade. Ele gosta bastante desse tipo de evento", contou.
Maíra aproveitou o dia ensolarado para fazer passeios culturais com o filho. Ela lembrou que desde a última quinta-feira (27) está indo a eventos nesse estilo e, após a Quinta da Boa Vista, ia para a Marina da Glória, na região central, para um de matemática.
Quem também aproveitou o dia no festival foi o casal Lucas dos Reis, de 28 anos, e Vitor Jotta, de 29, que são moradores da Tijuca, na Zona Norte. Apaixonado por dinossauros, Lucas lembrou que visitava o Museu Nacional constantemente quando era mais novo. Visitando a exposição, ele valorizou os pesquisadores.
"A parte das exposições e das pesquisas estavam incríveis. Ficamos umas três horas, conversando com os pesquisadores, tirando dúvidas e aprendendo coisas novas. São centenas de pessoas trabalhando todos os dias para descobrir coisas novas. É muito legal ver que isso está rolando. O Museu Nacional fez eu ser um apaixonado por dinossauros. Se foi importante para mim quando eu era criança, é importante que ele se reestruture para que possa inspirar outras pessoas e uma nova geração a também ficar apaixonado por diferentes assuntos", disse.
Vitor elogiou a forma de explicar dos expositores. "Para a gente é mais simples porque eles podem usar os termos que quiserem, até os mais difíceis, mas a gente viu a barraquinha que falava de múmias explicando o processo de mumificação para uma criança. Achei muito interessante. A criança estava vidrada. Na minha época de escola, víamos muito em livros e slides, mas aqui tem as crianças tocando e fazendo carinho", completou.
As amigas Júlia Máximo e Isabel Cristina, ambas de 20 anos, compareceram ao evento para prestigiar um amigo, que apresentou um projeto. Moradores de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, elas também elogiaram as atividades interativas.
"O festival é muito importante porque mostra que ainda existe a história, que tudo não foi queimado durante o incêndio. A gente foi na barraca de besouros, na de répteis, na de crustáceos. É muito interessante porque deixam a gente encostar também. É muito maneiro", destacou Júlia.
"Antigamente, a gente não tinha a possibilidade de tocar igual temos a oportunidade agora. A gente ia mais pela resenha em passeios de escola, mas agora que tem essas coisas que a gente pode ver. Acho que é muito importante para educação. As crianças estão mais interessadas nas coisas do que antigamente", constatou Isabel.
A programação ainda disponibilizou a atividade "Mergulhando no Coral Vivo", que convidou o público a conhecer de perto o universo dos recifes brasileiros. A atividade teve uma coleção didático-científica de esqueletos de corais e outros organismos marinhos, além de uma experiência com óculos de realidade virtual 360°, que permitiu um mergulho por dois importantes ecossistemas do país: o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e o Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora, na Bahia.
Na atividade "Neferhotep visita o Museu Nacional", o público conheceu aspectos do Egito Antigo e das pesquisas realizadas pela Missão Arqueológica do Museu Nacional em Luxor, cidade do Egito.
Já a "Trilha dos Saberes Ticuna" apresentou, por meio de um jogo de tabuleiro, a história das coleções Ticuna e a relação entre o Museu e o povo indígena.
O festival também teve atividades relacionadas à reconstrução do Museu Nacional, incluindo uma ação da Construtora Biapó sobre a restauração do Paço de São Cristóvão, que permitiu ao público interagir com réplicas de ornamentos históricos.

Além disso, o público pôde visitar as exposições temporárias “Bastidores da Ciência” e “Rescaldo das Memórias”, do artista plástico Vik Muniz. A primeira apresentou técnicas, processos e práticas que fazem parte do cotidiano da instituição, como restauração, paleoarte, modelagem digital, taxidermia e conservação de acervos. Já a segunda reuniu fotografias e esculturas criadas a partir de cinzas e fragmentos de peças resgatadas após o incêndio de 2018, propondo uma reflexão sobre memória, perda e reconstrução.
O festival segue ocorrendo na Alameda das Sapucaias até às 16h.
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