Publicado 16/09/2026 12:20
"Eu já havia perdido uma filha e vivia com muita dificuldade. Estou desolada. Todo mundo está destruído". É com esse sentimento de tristeza que a agente de saúde Pâmela Dayene da Silva, 37 anos, convive com a dor do luto, três dias após a morte do filho, Nathan Valentin da Silva Chiachio Barbosa, 6. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o menino faleceu depois de se afogar no Rio Guandu, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio.
PublicidadeNo último domingo (13), a criança saiu sozinha de casa enquanto a mãe estava no banheiro. Após cerca de duas horas de buscas na região, Nathan foi encontrado boiando no rio, socorrido e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) João XXIII, localizada na Avenida João XXIII. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apesar dos esforços da equipe médica, a criança não resistiu.
Ao O DIA, Pâmela contou que o filho costumava passar o dia subindo e descendo a escada da residência. No entanto, em uma das vezes, ele não retornou, o que a preocupou. As buscas começaram, com auxílio de parentes e amigos.
"Meu portão não está trancando direito. A gente colocava um monte de coisa e deixava a porta fechada. Eu estava no quarto com eles [os filhos], organizando meu guarda-roupa, e fui ao banheiro. Ele tinha a mania de subir e descer a escada o tempo todo, o dia inteiro. Ele ficou subindo e descendo. Foi tudo muito rápido. Quando desci, o portão estava entreaberto. Ainda fui ao banheiro e no quarto, e ele não estava. Comecei a ligar para todo mundo, botei no grupo do trabalho e começou a vir gente de carro, de moto, para procurar ele. Eu sinto as coisas. Quando minha filha morreu, eu senti que algo ia acontecer. Eu já estava com uma dor no peito muito grande", lembrou.
Nathan foi encontrado próximo a uma ponte. Segundo Pâmela, um amigo chegou a fazer respiração boca a boca antes de levá-lo para ser atendido na UPA.
"Fiquei desesperada. Aí eu entendi que ele tinha caído no rio. Ele amava água. O que mais me entristece é que uma senhora viu ele entrando. Achou que era uma criança de rua, mas era só um bebê. Como deixa a criança entrar no rio? Como começou a chover muito, acho que o rio encheu e começou a arrastá-lo. Ele deve ter engolido água", comentou.
O enterro do menino aconteceu nesta terça-feira (15) no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte. No mesmo dia, Pâmela e as amigas colocaram balões com cores associadas ao autismo na ponte onde encontraram o filho dela.
"Eu sei que os autistas gostam de água. Aquele rio é aberto, muito fácil entrar. Tem que fazer alguma coisa, um cercado, sei lá. Eles são inocentes. Tem que ser feito alguma coisa. Tem que dar acesso a mais terapias para eles se desenvolverem melhor. É tudo muito demorado, ninguém olha para os autistas e para as mães atípicas. Sou da saúde, sei o que estou falando. A gente está em ano de eleição e precisam olhar mais para os autistas porque são inocentes", pediu.
A agente de saúde já tinha perdido uma filha bebê anteriormente. Agora, novamente convive com a dor do luto.
"Era o carinha mais incrível do mundo. A maioria dos autistas não gostam muito de abraços e carinho, mas ele não. Se gostasse de você, te abraçaria e beijaria o tempo todo, do jeitinho dele. Quando perdi a minha filha, pedi a Deus para me dar uma criança para sempre. O autista é uma criança para sempre. Eles vão crescendo, mas seguem com o jeitinho de criança, sem maldade. Era tão amoroso, inteligente, em toda escolinha que passou era o autista mais amado. Estou desolada. É muito difícil", destacou.
A 36ª DP (Santa Cruz) investiga a morte. De acordo com a Polícia Civil, diligências estão em andamento para apurar os fatos.
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