Durante a cerimônia de premiação. representantes das escolas fluminenses distinguidas comemoraram em conjunto Foto Firjan/Divulgação
Pádua - Os esforços para a redução do abandono escolar e disseminar boas práticas contra a amplificação de desigualdades sociais no município garante a Santo Antônio de Pádua, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, o Prêmio Firjan SESI e SEEDUC de Combate à Evasão. A cerimônia de entrega aconteceu nessa segunda-feira (8), reunindo gestores de unidades que abrangem todas as regiões do estado.
Foram reconhecidas taxas zeradas de evasão e abandono escolar em 66 escolas estaduais (elas levaram 19.997 alunos a continuarem os estudos em 2023 e 2024). Entre as unidades está o Colégio Temistocles de Almeida, de Pádua, que recebeu o Prêmio Ouro e os gestores farão uma imersão internacional em Portugal.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano, comenta que essa é uma das mais importantes iniciativas da instituição no campo da educação: “A Firjan SESI tem como missão contribuir para a melhoria da qualidade de vida não só do trabalhador da indústria, como também da sociedade, por meio da educação”.
Caetano ressalta que 90% dos trabalhadores do setor industrial são oriundos da rede pública de ensino: “Hoje, com a divulgação e o reconhecimento das escolas estaduais vencedoras do Prêmio Firjan SESI-SEEDUC Combate à evasão, estamos reiterando o compromisso com esta missão”. A pesquisa apontou que meio milhão de jovens acima de 16 anos abandonam as escolas a cada ano.
O diretor de Educação e Cultura da Firjan SENAI SESI, Vinícius Cardoso, avalia que o problema é mais grave quanto mais vulnerável for a população: “Só 46% da camada social um quinto mais pobre conclui o Ensino Básico. De forma geral, seis a cada 10 brasileiros concluem o Ensino Médio até os 24 anos. Se essa taxa se igualasse à do Chile (93,4%) o custo evitado para o país seria de R$ 135 bilhões por ano”.
EXPERIÊNCIAS - Cardoso entende que, com esta iniciativa, a Firjan SESI foi além dos estudos que auxiliam no planejamento e na tomada de decisão de empresários e gestores públicos: “A federação propôs e vem executando ações concretas contra este grave problema, que aumenta as desigualdades sociais e dificulta o desenvolvimento socioeconômico”.
Enquanto a taxa de abandono geral foi 5,6% entre 2023 e 2024, o diretor aponta que as 66 escolas zeraram o índice: “As escolas foram classificadas de acordo com seis níveis de complexidade de gestão, considerando indicadores do INEP que levam em conta fatores como tamanho da unidade, número de alunos, infraestrutura, entre outros”.
De acordo com a Firjan, a pesquisa reuniu ainda quase 100 experiências nacionais e internacionais que servem de referência e inspiração para gestores públicos. “Entre os principais obstáculos estão distorção idade-série, baixo aprendizado, desigualdade social e econômica, falta de orientação sobre carreiras e, como consequência, um baixo engajamento dos alunos com os estudos”, resume.
DUAS CATEGORIAS - As unidades foram divididas em duas categorias. No Prêmio Ouro, os gestores de 14 unidades farão uma visita às universidades de Lisboa e do Porto, em Portugal; já no Prêmio Prata, representantes de 52 unidades farão uma imersão de quatro dias em escolas de Pernambuco, estado referência nacional com os menores índices de evasão e abandono.
No norte/noroeste fluminense foram premiadas, ainda, as escolas estaduais Almirante Barroso e Doutor Barros Barreto (Campos dos Goytacazes); Admardo Alves Torres e Chrisanto Henrique de Souza (São João da Barra); Agostinho Chryzanto de Araújo (São Francisco de Itabapoana); e Montese (São Fidélis).
Todas estão no Prêmio Prata. A secretária estadual de Educação, Roberta Barreto, entende que premiar boas práticas no combate à evasão contribui, efetivamente, para a melhoria da qualidade da educação, “na medida em que não só incentiva ações de resgate desses jovens de volta à escola, mas sobretudo garante a permanência dos estudantes em sala de aula”.

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