O flagrante aconteceu durante monitoramento em um fragmento de mata definido como corredor ecológico Foto Samir Mansur/Inea
Mais antiga unidade de conservação florestal do estado do Rio de Janeiro, o Parque Estadual do Desengano acaba de registrar um marco histórico para a biodiversidade fluminense, com a aparição de indivíduos de sagui-da-serra-escuro (Callithrix aurita), na área de Santa Maria Madalena, no estado do Rio de Janeiro.
O flagrante aconteceu durante monitoramento em um fragmento de mata que atua como corredor ecológico, situado no distrito de Doutor Loreti, na zona rural do município que abriga grande parte das florestas protegidas pelo parque. Trata-se de um dos primatas mais ameaçados do planeta.
De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a ameaça se dá devido à severa perda de habitat na Mata Atlântica e à competição agressiva com espécies invasoras introduzidas pelo homem (como os saguis-de-tufos-brancos e pretos). O ressurgimento da espécie acendeu de vez os debates e as ações de conservação ambiental em toda a Região Serrana e no Norte Fluminense.
O Inea realça que a estrutura das ações de preservação envolve diretamente órgãos ambientais de peso e projetos de manejo integrado. A fiscalização e a gestão territorial da área ficam sob a responsabilidade do instituto e das chefias das unidades de conservação locais. Em âmbito técnico-científico, a proteção do primata ganha o reforço crucial do Manejo Populacional do Sagui-da-Serra-Escuro.
O programa é coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), com estratégia baseada em monitoramentos de campo focados no mapeamento dos grupos remanescentes, atração por meio de vocalizações gravadas e planos futuros para capturar e isolar espécimes híbridos.
Parque de Céu Escuro
Cientistas e ecologistas consideram o impacto das ações altamente positivo e auspicioso. O Inea entende que a presença do pequeno mamífero indica que os remanescentes de floresta contínua de Santa Maria Madalena ainda guardam conectividade biológica e qualidade ecológica suficientes para sustentar a fauna nativa.
“Além de reabilitar o status ecológico do bioma regional, o avistamento gera repercussão socioeconômica na comunidade madalenense”, resume o Inea, frisando que a valorização da fauna endêmica impulsiona o ecoturismo e se soma à fama internacional do local, que já atrai visitantes do mundo inteiro por deter o título de primeiro Dark Sky Park (Parque de Céu
Escuro) da América Latina devido à baixíssima poluição luminosa.
Escuro) da América Latina devido à baixíssima poluição luminosa.
Quanto à proteção jurídica e à previsão de punição para crimes ambientais, consta que atividades ilegais de caça, captura para tráfico de animais silvestres, desmatamento ou introdução deliberada de espécies exóticas invasoras em áreas protegidas violam a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998).
Está previsto que quem for flagrado cometendo infrações contra a fauna nativa do parque ou destruindo o habitat de espécies ameaçadas está sujeito a sanções que envolvem multas administrativas pesadas aplicadas pelo Inea e penas de detenção, que podem ser agravadas pelo fato de o crime ocorrer dentro de uma Unidade de Conservação e envolver um animal oficialmente sob risco de extinção.
Está previsto que quem for flagrado cometendo infrações contra a fauna nativa do parque ou destruindo o habitat de espécies ameaçadas está sujeito a sanções que envolvem multas administrativas pesadas aplicadas pelo Inea e penas de detenção, que podem ser agravadas pelo fato de o crime ocorrer dentro de uma Unidade de Conservação e envolver um animal oficialmente sob risco de extinção.

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